Terceira edição do Festival Ceará Sem Fome destaca histórias transformadoras, criatividade e empreendedorismo

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Evento celebra os três anos do Programa Ceará Sem Fome, que registrou 80 milhões de refeições distribuídas e 35 mil pessoas qualificadas em todo o estado.

Com programação diversa e mais de cinco mil participantes, o Governo do Estado realiza, nesta quinta-feira (18/06), a terceira edição do Festival Ceará Sem Fome, no Centro de Eventos, em Fortaleza. O festival celebra os três anos do programa Ceará Sem Fome (CSF), que tem sido estratégico para o combate à fome com foco na cidadania, qualificação e renda para os beneficiários. Na oportunidade, 21 cozinhas Ceará Sem Fome receberam o Selo de Controle de Qualidade, concedido pelo Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec).

De acordo com a primeira-dama do Estado e presidente do Comitê Intersetorial de Governança do CSF, Lia de Freitas, a terceira edição do Festival foi pensada para celebrar os resultados, como o número de 400 mil cearenses que deixaram a extrema pobreza nos últimos três anos, mas também para reconhecer o protagonismo e empreendedorismo dos beneficiários.

“O Festival é um símbolo da revolução humana que acontece no Ceará. Reunimos 1.400 empreendedores em 36 festivais regionais. Hoje, trouxemos 100 expositores na área de Gastronomia, Artesanato e serviços de Beleza, para os beneficiários mostrarem um pouco do que estão fazendo”, detalhou.

Desde que foi criado, em 2023, o Ceará Sem Fome já contabiliza quase 80 milhões de refeições distribuídas, 700 toneladas de alimentos destinados a entidades credenciadas, beneficiando mais de 70 mil famílias. Atualmente, o programa conta com 1.300 cozinhas em 184 municípios, preparando 130 mil refeições diárias. Além das refeições, o Cartão Ceará Sem Fome beneficia cerca de 45 mil famílias.

Com o eixo +Qualificação e Renda, lançado em 2024, foram qualificados cerca de 35 mil beneficiários em 174 municípios cearenses. Em parceria com o Sebrae Ceará, mais de 10 mil participantes concluíram a trilha “Quero Empreender”, e aproximadamente 3 mil receberam mentorias individuais para a estruturação de seus negócios.

O programa também viabilizou o acesso ao microcrédito para 1.804 beneficiários por meio do Ceará Credi. Além disso, 14.256 beneficiários (entre ativos e inativos nas cozinhas Ceará Sem Fome) conquistaram inserção no mercado de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Caged de abril de 2026.

“Em parceria, a programação do festival também traz oficinas para impulsionar os negócios digitais, consultoria para empreender. Temos também um espaço de Inclusão e Cidadania, emissão de Identidade, serviços das secretarias das Mulheres, do Trabalho, além de orientação para quem está precisando de crédito para montar o seu negócio”, acrescentou Lia de Freitas.

Uma das histórias motivadoras presentes no festival veio da cozinha Cândido Fernandes, localizada em Juazeiro do Norte, no Cariri. A costureira e cozinheira Rosely de Lima Arimatéa, de 60 anos, compartilhou no Palco Vivências como a trilha Quero Empreender foi importante para ela e as beneficiárias do Ceará Sem Fome.

“Eu sempre costurei no particular. No Ceará Sem Fome, com os cursos e a mentoria, eu aprendi a lidar com o meu trabalho. Agora eu sei botar o meu preço no meu produto. A minha vida tá melhorando a minha vida, só tenho a agradecer ao programa”, disse.

Qualidade e carinho

Durante o festival, 21 cozinhas receberam a primeira certificação do Selo de Controle Qualidade do Nutec. A certificação reforça a excelência no cumprimento das boas práticas de manipulação de alimentos, reafirmando o compromisso do Ceará Sem Fome com a oferta de refeições seguras, nutritivas e produzidas com responsabilidade.

Uma das certificadas é a cozinha do Centro de Promoção da vida Dom Helder Câmara, no Genibaú, em Fortaleza. A cozinheira Jane Santos, 47, explica que o controle rigoroso e o carinho são essenciais no preparo diário das refeições. “É gratificante acordar cedo, preparar as comidas, e receber os elogios deles [beneficiários]. Eu sou conhecida por ser chata, mas tem que ter limpeza e organização para cozinhar uma comida de qualidade. Tem que levar isso, amor e empatia para a panela”, enfatizou Jane.

De acordo com o presidente do Nutec, Francisco Magalhães, mais cozinhas poderão obter a certificação com novos editais que serão lançados. “Essa foi a primeira versão do edital, mas o compromisso com a qualidade acontece para além do edital. Ao longo do ano, o Nutec visita as cozinhas para garantir essa conformidade. Observando isso, foi oportuno lançar um edital para reconhecer a qualidade das cozinhas”, ressaltou.

Criatividade e sustentabilidade

Ainda na programação da manhã, o espaço Cozinha Show uniu criatividade e gastronomia social, com foco no aproveitamento integral dos alimentos. Oito agentes compartilharam conhecimentos e experiências, destacando a importância da alimentação saudável aliada à criatividade e ao aproveitamento total dos ingredientes.

As cozinheiras Ana Lúcia Rodrigues, 67, e Rosana Maria Brito, 52, ensinaram ao público presencial e virtual a receita do purê feito com casca de Jerimum. A dupla faz parte da cozinha da Associação do Parque Albano, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. “Eu aprendi essa receita da outra vez que estive no Festival. Comecei a fazer e as pessoas amam ter esse purê na quentinha”, contou Ana Lúcia.

As apresentações foram mediadas pela empreendedora social e chef de cozinha Regina Tchelly, que participa do festival desde a primeira edição. “Para mim é sensacional ver as mulheres cozinheiras que pilotam panelas gigantes sendo protagonistas do festival. Elas têm motivação para seguir com amor, criatividade, desperdício zero e aproveitamento de alimentos”, afirmou.

Autor: Da redação com/Texto: Larissa Falcão – Ascom Casa Civil Fotos: Tiago Stille – Casa Civil/: Yuri Leonardo – Casa Civil