Ministro autoriza investigação de deputado Júlio Delgado na Lava Jato

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Segundo revista, empreiteiro disse ter doado R$ 150 mil para campanha. Em nota, deputado afirmou que não recebeu um centavo do dinheiro.

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) no âmbito da Operação Lava Jato.

A decisão foi proferida no início deste mês a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), com base em depoimentos dados num acordo de delação premiada pelo empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e considerado chefe do cartel que atuava junto à Petrobras.

O inquérito ainda tramita sob segredo de Justiça, pois o conteúdo da colaboração de Pessoa ainda é sigiloso. Na última quarta (16), o ministro enviou o caso para a Polícia Federal realizar diligências, medidas de apuração que podem incluir tomada de novos depoimentos, quebras de sigilo e interceptações telefônicas, por exemplo.

O nome de Júlio Delgado entre os supostos beneficiários do esquema de corrupção montado na Petrobras foi revelado em junho deste ano, quando a revista “Veja” mostrou uma lista de 18 políticos citados por Pessoa em sua delação.

A reportagem afirma que o empresário disse ter usado dinheiro desviado de contratos da estatal para fazer doações oficiais a campanhas de candidatos de PT, PTB, PMDB, PSDB, PSB e PP. Para Delgado, a doação teria sido de R$ 150 mil, conforme noticiado pela revista.
Na época, por meio de nota, Júlio Delgado afirmou que a citação a seu nome era uma tentativa de desmoralizar os trabalhos da CPI da Petrobras. Ele disse atuar de maneira “enfática” na comissão para investigar as denúncias sobre o caso, inclusive apresentando requerimento para convocar Ricardo Pessoa para depor.

“Repudio veementemente a leviandade de vincular meu nome a doações irregulares e sinto-me ainda mais motivado e convicto de que a comissão precisa ser mais rígida e transparente, deve ir fundo nesta apuração”, afirmou o deputado à época.

Sobre a doação, Delgado disse que ela foi destinada ao Diretório Estadual de Minas Gerais do PSB e repassada a 16 candidatos a deputados estaduais e federais. “Não recebi um centavo sequer desses recursos, todas as transferências estão declaradas à Justiça Eleitoral e disponíveis a consulta pública. Essa tentativa de intimidação não vai alterar minha postura parlamentar, muito menos influenciar em minha atuação na CPI”, disse o deputado.

Políticos investigados

Com a abertura de investigação contra Júlio Delgado, passam a ser 61 os oficialmente investigados em inquéritos no Supremo e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) – há  informações sobre outras investigações em segredo absoluto, cujos nomes ainda não foram revelados.

O número de parlamentares com foro privilegiado passa para 36 – 23 deputados federais e 13 senadores.

Em alguns casos de políticos que aparecem em depoimentos ou investigações, a PGR pediu ao STF que o caso não ficasse com Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, por entender que não há indícios de ligação com o esquema da Petrobras, mas somente um caso de caixa dois de campanha, nome que se dá a doações não declaradas.

Autor; Mariana Oliveira e Renan Ramalho da TV Globo e do G1, em Brasília/Foto: divulgação.