Instituto Cigano do Brasil divulga nota de repudio e pesar pelas mortes do casal de ciganos em Cachoeira do Piriá/PA

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Ciganos foram pedir o pão de cada dia e foram lixados, humilhados mortos, queimados com requintes de crueldades, por cerca de 50 pessoas “Há uma sensação de impunidade”.

O Instituto Cigano do Brasil-ICB, lamenta as mortes dos jovens ciganos, J.P. F tinha 14 anos, e Tarley Pinheiro Ferreira, tinha 19 anos, ocorridas na quarta-feira (21/04), na cidade de Cachoeira de Piriá/PA, (no Povoado Cristais) com requintes de crueldades, torturados e mortos por cerca de cinquenta pessoas, ainda não ficando satisfeitos os autores também jogaram gasolina nos corpos das vítimas provocando queimaduras.  Nesse momento de dor e repudia a violência contra o jovem casal de ciganos o ICB, se solidarizar os familiares, amigos e parentes das vítimas.

ICB vai acompanha o caso

Os coordenadores do I Instituto Cigano do Brasil-ICB, cigano Margelio e cigano Marcelo vêm conversando com os parentes das vítimas e neste sábado (24/04), o presidente do ICB e membro consultivo da comissão da Igualdade Racial da OAB/CE, o Cigano Rogério Ribeiro, conversou com o primo e tio das vitimas onde relataram a crueldade dos crimes contra o casal de ciganos, além dos ciganos que estavam no local.

De acordo com o cigano Rogério Ribeiro, o ICB que luta diuturnamente pela garantia e implantação dos direitos humanos, de politicas públicas afirmativas para os Povos Ciganos, entre os quais o maior expoente é o direito à vida, a saúde, a educação, a moradia, geração de renda, se solidariza, neste momento de pesar, com os familiares e amigos das vítimas desses crimes bárbaros. Não queremos apenas que os assassinos e agressores de mulheres sejam presos após os crimes. Queremos mais do que isso. “Queremos que nosso Povo Cigano não sejam mortos, humilhados e espancadas, não tenham medo de andar na rua, não sejam culpabilizados pela violência que sofrem. Queremos paz, respeito e oportunidades, além dos nossos direitos serem implementados e atendidos” disse o presidente do ICB que acrescentou,

O vice-presidente do ICB, Paulo Cigano foi taxativo, “Não queremos vingança, queremos justiça”, avaliou.

Entenda o caso

De acordo com os parentes das vítimas, os Ciganos foram pedir o pão de cada dia, e acabaram sendo mortos e humilhados por alguns moradores e assassinos, pois neste período de pandemia estão desassistidos pelo poder público, triste realidade também em varias comunidades ciganas espalhadas por esse país a fora. Não apareceu nenhum roubou nenhuma arma, não ficaram presos.

Atestado de óbitos

Hemorragia intracraniana

A hemorragia intracraniana espontânea é a causa mais comum de sangramento intracraniano não traumático, seguida por hemorragia subaracnoide e hemoventrículo (não traumáticos).

Caracteriza-se por sangramento iniciado no parênquima encefálico, mas pode se expandir para o espaço meníngeo e ventrículos.

Traumatismo craniano

O traumatismo craniano, ou traumatismo cranioencefálico, é uma lesão no crânio provocada por uma pancada ou trauma na cabeça, que pode atingir o cérebro e ocasionar sangramento e coágulos.

Perfuração de balas

Cerca de quinze perfurações no corpo da cigana e no cigano perfuração no olho e vários tiros no corpo.

Vítimas foram mortas e queimadas

O Casal de ciganos foram mortos e depois os autores jogaram gasolina nos corpos provocando queimaduras.

Sepultamento

Os corpos das vítimas foram velados na casa dos parentes e sepultados no cemitério Municipal de Maracaçumé/MA, na quarta-feira (22/04).

Encaminhamentos

Nesse ato brutal, que por certo não ocorreria da mesma forma com um cidadão branco, manifesta-se a discriminação, preconceito e racismo estrutural da sociedade brasileira. Essas mortes causaram dor, sofrimento, transtorno e angústia exacerbados, pois tiveram ceifado de uma forma cruel sem defesa, a uma cigana de apenas 14 anos e um jovem cigano de 19 anos, extremamente cruel, desumano e covarde. Diante dessa atrocidade o ICB encaminhou para a PGR, OAB, MPF/PA, CDH, enfim para varias instituições o caso e pediu providências urgentemente.

Repúdio

A história do ICB é de ampliação de liberdades e construção de oportunidades nos impõe a reafirmação permanente do nosso compromisso com a defesa dos Direitos e garantias Individuais e Coletivos, com o bem-estar do nosso Povo Cigano e o repúdio a atos discriminatórios de quaisquer naturezas.

Lamentamos e nos envergonhamos desta sociedade racista, homofóbica, sexista, desigual e injusta e exigimos respostas das autoridades para punir pela força da lei, todos envolvidos neste terrível crime, contra o casal de ciganos.

Nunca deixaremos de nos indignar diante de fatos como esse. Exigimos justiça e respeito à vida.

Reiteramos que o Instituto Cigano do Brasil- ICB luta contra toda e qualquer forma de preconceito (homofobia, anti-ciganismo, ciganofobia, racismo, sexismo, machismo). Vidas Ciganas importam!

Atenciosamente

Cigano Rogério Ribeiro                                             Cigano José de Paulo

Fortaleza, em 24 de abril de 2021.

Autor: ICB