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terça-feira - 07 julho 2026
Início DESTAQUE Diretor preso da Riotrilhos tentou esconder dinheiro transferindo para esposa, diz MPF.

Diretor preso da Riotrilhos tentou esconder dinheiro transferindo para esposa, diz MPF.

Descoberta foi feita através de interceptação telefônica com gerente de banco. ‘No IR aparece R$ 21 mil, só que sua renda não é só essa. Sua renda é muito maior né?’, diz bancária.

 Uma interceptação telefônica com a autorização da Justiça revela, segundo o Ministério Público Federal (MPF), uma tentativa do diretor da Riotrilhos de esconder dinheiro obtido através de pagamentos de propina. Ele foi preso nesta terça-feira (14), junto com o subsecretário de Turismo do estado e ex-subsecretário de Transportes, Luiz Carlos Velloso.

A dupla foi detida na Operação Tolypeutes — desdobramento da Lava Jato no Rio que investiga corrupção e pagamento de propina em contratos da Linha 4 do metrô.

O MPF afirma que parte da propina era repassada de uma empresa ligada à Odebrecht a CBPO. A CBPO é da mulher de Heitor, Luciana Maia, que transferiria o dinheiro para o marido.

Com a quebra do sigilo bancário, os investigadores identificaram transferência de R$ 10 milhões de Luciana para Heitor. Eles também interceptaram uma ligação telefônica entre Heitor Lopres e a gerente de um banco, Patrícia Cavalcante.

PATRÍCIA: Porque o meu receio é exatamente, por exemplo, o meu receio é quando na hora, já que eles tão focalizando muito na conta de vocês, diretor, eles olharem que você mudou pra conta da Luciana R$ 1 milhão depois achar né… que tipo assim… você está querendo esconder alguma coisa. Porque no Imposto de Renda aparece a renda de R$ 21 mil, só que sua renda não é só essa. Sua renda é muito maior né?

HEITOR: Tá.

Obra de R$ 10 bilhões
Segundo o acordo de leniência de executivos da Carioca Engenharia, o esquema de corrupção que existia na Secretaria de Estado de Obras do RJ, com a cobrança de propina das empreiteiras envolvidas em contratos bilionários de obras civis – revelado em operações anteriores da Lava Jato –, também se repetia na Secretaria de Estado de Transporte.

De acordo com depoimentos, Heitor recebia a propina no canteiro de obras e em dinheiro vivo. Ele era sócio de duas empresas que prestavam serviço para a construção da Linha 4 do metrô, inaugurada pouco antes da Olimpíada do Rio, ligando Ipanema, na Zona Sul, à Barra da Tijuca, na Zona Oeste.

As obras custaram cerca de R$ 10 bilhões. Além da Carioca Engenharia, outras duas grandes contrutoras formavam o Consórcio Rio Barra, responsável por parte da obra: a Odebrecht e a Queiroz Galvão.

A equipe de reportagem não conseguiu contato com os advogados de Heitor Lopes, Luiz Carlos Velloso, Luciana Maia, Renata Monteiro Borges e Patrícia Cavalcante.

A RioTrilhos disse que desconhece o teor das acusações e se coloca à disposição para esclarecimentos.

A Carioca Engenharia disse que não vai comentar a operação. A CBPO, ligada à Odebrecht, não havia respondido até última atualização desta reportagem.

Em nota, a Secretaria de Estado de Turismo informou que Velloso vem exercendo as funções de subsecretário desde janeiro de 2015 com lealdade e competência.

Autor: Da redação com RJTV/ Foto: Cristina Boeckel