A RBPC divulga nota – JUSTIÇA PARA O CIGANO RICARDO.

190

Nesta terça-feira (23/06), a Rede Brasileira dos Povos Ciganos (RBPC) manifesta sua profunda indignação diante da demora na responsabilização dos autores do brutal assassinato do cigano da etnia calon,  Ricardo Marques Cabral, no dia 2/06, no Assentamento da Gameleira (Distrito Colônia de Olindina), por volta das 15h, onde na sexta-feira (5/06), o corpo encontrado carbonizado, no Povoado Muluquizinho, Inhambupe/Zona Rural, no eucalipto em frente a plantação de milho do Tonho José, trata-se de uma   tática criminosa de ocultação de cadáver, conforme BO 00413284/2026 /Olindina/BA, que se encontra em segredo de justiça.

Hoje completam-se 21 dias desde que o cigano Ricardo foi cruelmente assassinado por dois assassinos e teve seu corpo carbonizado em uma tentativa covarde de ocultar o crime e apagar as evidências. Vinte e um dia de dor, angústia e sofrimento para sua família. Vinte e um dia de espera por respostas. Vinte e um dias sem que os responsáveis por tamanha barbárie tenham sido presos.

A família

A família do cigano Ricardo vem a público esclarecer que, apesar da revolta legítima causada por esse crime hediondo, em nenhum momento cogitou ou cogita fazer justiça com as próprias mãos. A família continua acreditando na Justiça, nas instituições democráticas e no dever do Estado de investigar, identificar, processar e prender os responsáveis. Contudo, o que deveria ser um período de acolhimento e proteção transformou-se em mais uma fonte de sofrimento.

Sofrendo ataques

Familiares e pessoas próximas à vítima vêm sofrendo ataques, intimidações, perseguições, comentários ofensivos e tentativas de descredibilizar a verdade dos fatos. Trata-se de uma situação inaceitável, que agrava ainda mais a dor daqueles que já perderam um ente querido de forma tão violenta.

O presidente da RBPC, Coordenador do Fórum das Comunidades e Povos Tradicionais do Ceará e Coordenador do Grupo de Combate as Torturas nas Comunidades Ciganas, Calon Rogério, considera extremamente preocupante a ausência de respostas concretas após três semanas de investigação. “A RBPC esteve presente nas primeiras diligências, inclusive preparou três relatórios dos fatos e foram encaminhados para o CEOSP`, GEOSP, CNDH, crimes dessa natureza não podem ser tratados com indiferença, lentidão ou silêncio. A vida de um cidadão cigano tem o mesmo valor que a vida de qualquer outro brasileiro e sociedade não podem aceitar que mais um caso envolvendo uma vítima cigana seja relegado ao esquecimento” destaca.

É preciso lembrar que os povos ciganos historicamente enfrentam discriminação, preconceito, exclusão social e invisibilidade institucional. Quando um crime tão brutal é cometido contra um cigano e não há uma resposta rápida e eficaz das autoridades, a sensação de abandono e insegurança se espalha por toda a comunidade.

Diante da gravidade dos fatos e da necessidade de garantir que o caso receba a devida atenção, a Rede Brasileira dos Povos Ciganos (RBPC) informa que encaminhará denúncia e documentação à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), solicitando acompanhamento internacional do caso e das medidas adotadas pelas autoridades brasileiras.

Não aceitaremos o silêncio. Não aceitaremos a impunidade. Não aceitaremos que a memória de Ricardo seja apagada.

Seguiremos acompanhando cada etapa das investigações, cobrando transparência, celeridade e resultados concretos. Continuaremos mobilizando organizações, lideranças, defensores dos direitos humanos e a sociedade civil para que este crime não seja esquecido.

O cigano Ricardo tinha família, tinha história, tinha sonhos e tinha o direito de viver. Sua vida importa. Sua memória importa. E sua família merece respostas.

A RBPC permanecerá ao lado da família até que a verdade seja esclarecida e os responsáveis sejam devidamente responsabilizados na forma da lei.

JUSTIÇA PARA RICARDO!

NENHUM CRIME CONTRA OS POVOS CIGANOS DEVE FICAR IMPUNE.
Rede Brasileira dos Povos Ciganos – RBPC

Autor/Foto: Ascom RBPC