Nota em Solidariedade aos Povos Ciganos vítimas da Covid-19.

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Com 27 mortes divulgadas, Ciganos faz parte das 100 mil vidas perdidas em 5 meses, esse é o total de mortos pela covid-19 e quase 3 milhões de pessoas contaminadas.

Neste sábado (08/8), o Brasil ultrapassa as 100 mil mortes causadas pelo novo coronavírus e, em muitas cidades, vive a reabertura: praias cheias, bares abertos, jogos de futebol, tudo com máscaras e distanciamento social. Impactados pela crise, muitos voltam ao trabalho presencial — para alguns, o isolamento jamais foi uma opção.

Nesse momento difícil, o Instituto Cigano do Brasil-ICB, se solidariza sua tristeza e profunda solidariedade com as cem mil vítimas perdidas pela pandemia de Coronavírus e a seus familiares. Desde que a OMS declarou o quadro de pandemia de Covid-19, o ICB vem acompanhado com apreensão o avanço do número de casos da doença, que já tirou a vida de vinte e sete Ciganos sendo (23 calon e 4 Rom),

Memorial Virtual das Vítimas

O ICB acredita que existam mais vítimas do covid-19 e não foram divulgadas, nesta perceptivas criou uma página do Memorial Virtual das Vítimas do Covid-19, dos Povos Ciganos do Brasil. São sonhos interrompidos de mães, pais, avô e avó, tios, filhas, filhos e amigos que deixam saudades.  Sequer têm sido permitido o acompanhamento das vítimas nos hospitais ou, ainda, a realização dos ritos funerários de forma tradicional.

Encaminhamento

O ICB encaminhou oficio solicitando a Implantação do painel com Covid-19- Povo Cigano, através de uma plataforma que possa mostra as notificações da doença e Projeto de lei institui “Dia Nacional em Memória às Vítimas da Covid-19 Povo Cigano/Romani”, auxílio excepcional temporário para os Coveiros e aquisição de equipamentos, medição no período pandemia como: SULFATO DE ZINCO e AZITROMECINA,  ampla divulga da RECOMENDAÇÃO Nº 035, DE 11 DE MAIO DE 2020, que Recomenda ações relativas à saúde do Povo Cigano/Romani, garantir a distribuição e o acesso aos kits emergenciais cestas básicas e de limpeza, contendo (sabão, luva, detergente, água sanitária, álcool gel, máscara, papel higiênico entre outros) e enxoval de bebê, garantir kits de diagnósticos emergenciais, especialmente para crianças, idosos e mulheres grávidas; Instalação de banheiros químicos nas localidades, sem sistema de saneamento básico, apoio emocional e psicológico, ajuda em locais isolamentos e formação de apoio, construção de protocolo emergencial, efetiva a Portaria 4.384/2018, que trata da saúde do Povo Cigano entre outras demandas.

Lembrar

Basta lembrar que tudo iniciou em 26 de fevereiro de 2020. Quando o primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado no Brasil, todos temeram por suas vidas. Qual seria a proporção de pessoas infectadas? Quantas vidas seriam perdidas? Por algum tempo, o país se uniu em temor a um futuro incerto e obscuro. No dia 11 de março, a Organização Mundial de Saúde declarou pandemia. Vinte e quatro horas mais tarde, o Brasil registraria o primeiro óbito por SARS-CoV-2. O primeiro caso de Cigano a morrer de Covid-19 ocorreu, no dia 3 de maio, em Jitaúna, na Bahia. Ele foi enterrado no dia seguinte em Jequié.

 

Os impactos

Os impactos da pandemia de covid-19 no Brasil vêm afetando os Povos Ciganos, reforçando as imensas desigualdades do país. As principais medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para conter o avanço e letalidade do coronavírus são o isolamento social e a higiene constante. No entanto, para a população Cigana, as medidas difíceis de serem cumpridas sem o complemento de outras medidas, como acesso à água, alimentação e outros recursos essenciais para o auto-cuidado, pelo poder público e órgãos responsáveis pelo enfrentamento da doença demonstram incapacidade estratégica e desorientação para lidar com uma das maiores crises sanitárias do país.

Medidas

As medidas excepcionais e urgentes de proteção social, como alimentação, kit de limpeza e higiene, alojamento e serviços essenciais para as populações mais vulneráveis não foram efetivadas e as de auxílio financeiro estão sendo lentos e questionado.

O ICB aproveita a ocasião para reforçar, junto ao poder público e órgãos responsáveis nossos apelos para que sejam providenciadas ações urgentes de defesa dos Direitos Humanos e de reparação pelos graves danos ocasionados a todas as famílias vítimas da pandemia da Covid-10.

Todos os governantes são eleitos para cumprir as responsabilidades consignadas pela Constituição Federal e por constituições estaduais. Empossados, juram guardar e proteger vidas de seu povo sob as regras legais.

Princípio basilar deste país, as ações e omissões de todos seus agentes públicos geram responsabilidades de ordem civil, criminal, administrativa e política. É o que descreve a Constituição Federal em diversos de seus artigos, desde o que estabelece um Estado Democrático de Direito (art. 1º) até previsões específicas, como as contidas nos seus artigos 19, III e 37, § 6º.

Autor/fotos: Ascom/ICB