Mortalidade infantil em alta: Três meses de gestão e nove recém-nascidos morrem em Iguatu

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  Primeiramente, queremos registrar nosso profundo pesar pelas perdas prematuras e irreparáveis dos recém-nascidos. Toda morte nos entristece muito, principalmente a de um ser que ainda estava apenas iniciando a sua vida.

Fico a me perguntar até que ponto a gestão de um novo tempo está preocupada com os usuários dos serviços? Ou somente querem honrar com as promessas de campanha e os usuários que acabam pagando a conta.

A dor

Depoimento de Silzza Nayane Martins, hoje (20/03) foi o enterro do pequeno Anjinho da minha Irmã Luana Alencar. Q em breve dará seu depoimento a toda à impressa porque perdeu seu pequeno no Regional de Iguatu porque não foi Transferida logo?? Com vários registros de Pressão alta, indo e voltando. Isso é revoltante. NEGLIGENCIA SIM. Segundo ela e minha mãe. Que ate o bebê teve na sala sem a ajuda de nenhum profissional, podendo ate ter uma hemorragia. Quantos morrerão a mingua????
Queremos e faremos Justiça. Esse caso não ficará assim… Sem contar o mal atendimento . Teve o bebê sozinha no quarto sem nenhum profissional como disse minha mãe. Falta de assistência e as enfermeiras ainda tratando com ignorância. Negligencia fora do Comum.

Sem lágrimas

bebe morto

Familiares desabafam e pede para não serem identificadas, “Tudo que queria era segurar meu filho nos braços quando toda aquela dor acabasse, mas nem isso eu pude. Sofri muito e ainda sofro, não posso nem ver as coisas que tinha comprado para ele. Quando cheguei em casa minha família já tinha escondido tudo”, lamenta a jovem.

“A vida do meu filho não volta. Jamais quis que isso ocorresse para que alguém pudesse tomar uma atitude com relação à negligência no Hospital Regional de Iguatu” desabafou .

Mortalidade infantil em alta

De acordo com o SIM – Sistema de Informação sobre Mortalidade, o município de Iguatu registra 9 (nove) óbitos em 2017, em   2015, 12  (doze)óbitos.

 Faz-se necessário uma maior qualidade dos serviços prestados, tanto nas unidades básicas de saúde bem como nas unidades hospitalares, buscando implementar programas de melhoramento dos serviços para garantir um atendimento de qualidade.

Só em março três óbitos

As mortes de três bebês durante o atendimento no hospital regional de Iguatu-HRI, durante este mês de março, causou indignação nas famílias dos recém-nascidos.

Depoimentos

morte de bebe ok

 Bairro Gardelha: Minha irmã teve um bebê prematuro ontem (dia 5/3) meio dia e ele falarão que iam transferi o bebe pra Fortaleza depois disseram que ele ia hoje e hoje (6/3) pela manhã quando minha irmã foi ver o bebe na incubadora ele já não estava mais lá. Ela perguntou por ele e elas disseram que não sabia depois veio a assistente social e falo pra ela que o bebê não tinha resistido e veio a óbito não dando mais informações sobre o óbito do recém-nascido.

  • Bairro Novo Iguatu: (Entre os dias 8 e 9/3), Uma amiga da família, disse que conversando com o pai da mãe do bebê ele relatou o seguinte: minha filha estava na escola perdendo liquido, quando foi o hospital regional com a mãe, o médico disse que ela só podia ser operada, depois, pois estava fazendo uma outra cirurgia, quando o médico foi operar a criança estava morta.

morte de bebe

 

Segundo informações o hospital regional de Iguatu-HRI, não estava disponibilizando do medicamento quando ocorreram algumas mortes, ocitocina sintética que é usada no parto normal.

Ocitocina sintética

Além disso, também pode ser usado para contrair o útero após o parto ou aborto, quando o sangramento está muito abundante, prevenindo hemorragias que poderiam levar a perda do útero e até a morte se não controladas adequadamente. É normal ocorrer sangramento após o parto, mas essa perda de sangue não pode ser muito forte, pois o risco de haver uma hemorragia nessa fase aumenta a cada parto que a mulher tenha, podendo ser maior em gestações gemelares, independente se for parto normal ou cesárea, por exemplo.

Ocitocina sintética

Atendimento ao parto

São casos ainda infelizmente muito comuns e se devem justamente pela cultura que tem no atendimento ao parto. Uma cultura em que a mulher não é considerada, ela não é ouvida e os seus desejos, os seus anseios para com este momento, que é tão vulnerável, não são atendidos de maneira adequada levando em consideração o que a mulher relata e considera importante no seu atendimento. Muitas intervenções são feitas de maneiras desnecessárias e também às vezes casos de atendimento de emergência, de casos de cesariana não são realizados forçando um parto normal numa situação que não é a adequada.

OBS: O espaço está aberto para a prefeitura municipal de Iguatu se manifesta sobre o assunto.

Autor: Rogério Ribeiro/Fotos: Ilustradas