A RBPC manifesta seu mais absoluto e veemente repúdio aos atos de covardia, violência física e verbal praticados contra família de ciganos Kalderash.

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A Rede Brasileira dos Povos Ciganos do Brasil (RBPC) manifesta seu mais absoluto e veemente repúdio aos atos de violência física e verbal praticados contra família ade ciganos Kalderash.

Em Flecheiras, distrito litorâneo de Trairi, no município de Trairi, o que ocorreu nesta terça-feira (28/04), ultrapassa qualquer limite de civilidade, após moradores tentarem linchá-los sob suspeita de envolvimento em uma suposta tentativa de sequestro de crianças.

Palco de horrores e agressões

Não se trata de um episódio isolado, mas de um verdadeiro cenário de barbárie: agressões físicas, humilhações públicas, ameaças e um grupo de pessoas tentando impor uma suposta “justiça” com as próprias mãos.

Um cigano foi brutalmente agredido, assim como mulheres ciganas da etnia Kalderash, que foram expostas a um ambiente de terror. Por muito pouco, não estamos falando de uma tragédia ainda maior.

Para o presidente da RBPC, Coordenador do Fórum das Comunidades e Povos Tradicionais do Ceará e Coordenador do Grupo de Combate as Torturas nas comunidades Ciganas, Calon Rogério Ribeiro, “é inadmissível que cidadãos sejam atacados dessa forma, em plena luz do dia, sob o olhar de uma sociedade que não pode se calar diante de tamanha violência. Nenhuma circunstância justifica agressões. Nenhuma narrativa sustenta o direito de linchamento. O que se viu foi preconceito escancarado, intolerância e desrespeito à dignidade humana” destaca.

Ressaltamos que o uso de tornozeleira eletrônica por parte das ciganas não retira seus direitos fundamentais. Elas continuam sendo cidadãs, com direito ao trabalho, à liberdade dentro dos limites legais e, sobretudo, à integridade física e moral. O cumprimento de medidas judiciais não autoriza ninguém a agir como juiz, júri e executor.

A RBPC exige investigação imediata e rigorosa para identificar todos os envolvidos nesses atos criminosos. Cada agressor (a) deve ser responsabilizado e punido nos rigores da lei. A impunidade, neste caso, será uma autorização para que novos episódios de violência aconteçam.

Não aceitaremos que os povos ciganos continue sendo alvo de ataques covardes. Não aceitaremos o silêncio diante da injustiça. E não aceitaremos que a violência seja normalizada.

O que aconteceu hoje em Flecheiras não pode, não deve e não será esquecido.
Chega de violência. Chega de perseguição. Justiça já.

Cigano Rogério Ribeiro

Presidente da RBPC

Caucaia/Ce em 28 de abril de 2026.