A RBPC divulga nota para a Imprensa sobre atitudes discriminatórias, racistas e xenofobia contra as famílias ciganas.

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A Rede Brasileira dos Povos Ciganos-RBPC e o Instituto Cigano do Brasil-ICB, vem ao público manifestar seu absoluto repúdio aos comentários maldosos e condenatórios, contra as famílias ciganas sobre o ocorrido em Maracanaú, e contra a dignidade humana são inaceitáveis e incompatíveis com os valores dos Povos Ciganos. O preconceito é uma forma de violência e não será tolerado.

O conceito é aplicado principalmente aos portais de comunicação online, como redes sociais, sites e blogs, que são plataformas de fácil acesso e, portanto, mais propícias à propagação de notícias falsas, visto que qualquer cidadão tem autonomia para publicar.

Fake News é crime

Compartilhar e espalhar Fake News é crime, previsto no Código Penal. A RBPC orienta a população sobre essa frequente corrente de notícias falsas, boatos e informações sem fundamentos que circulam pelas ruas e principalmente pelo mundo virtual, que são as redes sociais. Não acredite ou compartilhe tudo o que vê. Fica a dica:

 Nota

Os povos ciganos voltam a ser alvo de desinformação, notícias falsas e discursos carregados de ódio e preconceito. Narrativas irresponsáveis estão sendo espalhadas como se fossem verdades absolutas, criando um ambiente perigoso de julgamento coletivo contra uma população inteira.

O Presidente da RBPC, Coordenador do Fórum das Comunidades e Povos Tradicionais do Ceará e Coordenador do Grupo de Torturas nas Comunidades Ciganas, o Calon Rogério Ribeiro, vem acompanhando o caso e deixa claro: “Não compactuamos com qualquer prática ilícita. Quem eventualmente tenha cometido erros deve responder individualmente por seus atos, dentro da lei e com o devido processo legal. Entretanto, é inadmissível transformar acusações pontuais em condenação social de um povo inteiro” destaca.

Não aceitaremos: – achismos apresentados como prova;
– investigações conduzidas de forma tendenciosa;
– espetacularização de operações;
– nem ações truculentas que exponham famílias, mulheres, idosos e crianças à humilhação pública.

A Constituição Federal garante igualdade, dignidade humana e presunção de inocência. O que está acontecendo em muitos casos ultrapassa a apuração dos fatos e passa a alimentar a estigmatização étnica, abrindo espaço para comentários violentos, ameaças e incitação de ódio.

Reafirmamos: ciganos não são uma categoria criminosa. São um povo tradicional, com cultura, história e direitos reconhecidos no Brasil. O setor jurídico da RBPC já está acompanhando as postagens e tomará todas as medidas cabíveis. Qualquer manifestação que incentive violência, perseguição ou generalização contra os Povos Ciganos serão levadas ao Poder Judiciário e aos órgãos de direitos humanos, inclusive internacional.

Exigimos transparência, ética e respeito. Justiça se faz com provas, não com preconceito, com fake e achismo. A lei deve punir indivíduos quando houver culpa comprovada — jamais condenar um povo inteiro.

Respeitem os povos ciganos. Respeitem a Constituição. Respeitem a dignidade humana.  A RBPC se solidariza com as famílias ciganas e seguiremos vigilantes no combate ao racismo, calúnias e   todo tipo de violência.

Encaminhamento Relatório.

 

 A RBPC preparou um relatório que já foi traduzindo para o francês e inglês e será encaminhado para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), no Brasil para o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, PGR, DPU, Defensória Pública do Ceará e para o Secretário da Primeira Infância, Adolescência e Juventude da Câmara dos Deputados.

Rede Brasileira dos Povos Ciganos-RBPC,  Cigano Rogério Ribeiro

Instituto Ciganos do Brasil-ICB, Cigano José de Paulo

Fortaleza/Ce, em 14/02/2026