A ética jornalística exige respeito à dignidade humana, mesmo em coberturas policiais.
A Rede Brasileira dos Povos Ciganos (RBPC) vem, por meio desta, manifestar seu mais profundo repúdio à postura parcial, preconceituosa e discriminatória de veículos de comunicação que, de forma sistemática, expõem e estigmatizam a imagem dos ciganos.
O artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal (CF), prevê: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.
É inadmissível que, em pleno século XXI, a imprensa brasileira continue a reproduzir estereótipos e a julgar e condenar publicamente cidadãos ciganos antes mesmo de qualquer decisão judicial.
Quando um político é preso por corrupção bilionária, seus rostos não aparecem; quando empresários são flagrados em esquemas de sonegação e lavagem de dinheiro, a mídia protege suas identidades; quando filhos de juízes e de grandes empresários cometem crimes de trânsito ou agressões, seus nomes e imagens são ocultados. Porém, quando a notícia envolve um cigano, a mesma imprensa que silencia diante dos poderosos faz espetáculo: mostra rostos, divulga nomes, cria manchetes sensacionalistas e alimenta estigmas históricos.
Essa prática não é apenas desumana: é crime, é racista, criminosa e seletiva. Os povos ciganos já carregam séculos de perseguições, expulsões e estigmas sociais. Transformar a imprensa em tribunal midiático contra ciganos não só reforça a marginalização, como também alimenta o ódio e legitima a violência contra nossas comunidades.
A RBPC deixa claro: não aceitaremos mais ser bode expiatório de uma mídia que se cala diante dos poderosos e persegue os vulneráveis. Exigimos isonomia, reparação, responsabilidade jornalística e respeito à dignidade humana. Não aceitaremos que ciganos e ciganas sejam tratados (as) como espetáculo de preconceito e difamação.
Por fim, alertamos: cada vez que a imprensa expõe injustamente um cigano, não atinge apenas um indivíduo, mas fere todo um povo que tem resistido com coragem e dignidade. A RBPC continuará vigilante e pronta a denunciar qualquer tentativa de usar a comunicação como instrumento de discriminação.
A RBPC











