A RBPC denúncia execuções e torturas contra ciganos na zona rural de Taperoá, no baixo sul da Bahia “carnificina

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Em defesa da vida, da dignidade e dos direitos dos povos ciganos.

No sábado (8/11) pela manhã por volta da 11h30 a Polícia Militar registrou, uma ocorrência de homicídio na localidade de Roda D’Água, zona rural de Taperoá, no baixo sul da Bahia.

Segundo informações da PM, a guarnição foi acionada após denúncias de assaltos na região. Ao chegar ao local, os policiais encontraram um veículo Onix carbonizado e um corpo ao lado do carro.

A Rede Brasileira dos Povos Ciganos-RBPC tomou conhecimento desta tragédia nesta segunda-feira (10/11).

Dos fatos segundo informações

Rodrigo de Jesus Conceição -vulgo Coelho,  (não é cigano), segundo que apuramos  ele tem um historio de práticas de furtos, populares da localidade de Roda D’Água, zona rural de Taperoá, já estavam armados para combater os furtos, se preparam para uma guerra, montados a cavalos, de moto,  de carros e revoltados, conseguiram deter o José coelho (nome fictício), apavorado ligou para o cigano Ronaldo da Cruz Dantas (conhecido como Pretinho) pedindo ajuda, foi quando o cigano pretinho  chamou o cigano Robson de Jesus Cabral, 36 anos morador da Rua da Serraria em Presidente Tancredo Neves, para lhe acompanha ate o local, ao chegar na zona rural a ´população já estava esperando, de imediato deterão os dois  ciganos e começou a tortura, o cigano pretinho foi tortura e colocado no seu veiculo Onix onde morreu carbonizado,  e o cigano Robson atingido com um tiro no ouvido e outro na barriga depois de ser torturado foi jogado na beira da estrada vicinal.

Corpo de Rodrigo de Jesus Conceição -vulgo Coelho (Não é cigano)
Cigano pretinho morto carbonizado e cigano Robson morto com tiros no ouvido e na barriga( foram torturados)

Vale salientar, que um dos corpos estava dentro do veículo carbonizado e o outro próximo ao veículo com sinais de perfuração por arma de fogo. Os corpos foram necropsiados no Instituto Médico Legal de Valença (IML).

Providências

O presidente da RBPC e Coordenador do Grupo de Combate a Tortura nas Comunidades Ciganas da Bahia, cigano Rogério Ribeiro, acionou na manhã desta terça-feira (11/11), O Delegado-Geral da Polícia Civil do Estado da Bahia, André Viana, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), delegado Adailton de Souza Adan, de imediato comunicou a preocupação da RBPC para o delegado Arthur Guimarães do Departamento de Polícia do Interior (Depin), inclusive está no local dos fatos.

Conversamos com o delegado da 5ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), em Valença, delegado José Raimundo, “ Estamos apurando e em breve prendermos os autores” disse o delegado.

De acordo com o cigano Rogério Ribeiro “A RBPC repudia veementemente qualquer forma de violência e discriminação, exigindo das autoridades competentes — Ministério Público, Secretaria de Segurança Pública e órgãos de Direitos Humanos — uma apuração rigorosa e imparcial dos fatos, para que os responsáveis sejam identificados e punidos com todo o rigor da lei” destaca.

Ciganos mobilizados e torturados.

Nota da RBPC

A Rede Brasileira dos Povos Ciganos (RBPC) vem a público manifestar profunda indignação e pesar diante das informações sobre o assassinato de ciganos no município de Taperoá, ocorrido na zona rural da região. Segundo relatos, membros da comunidade cigana foram vítimas de atos de extrema violência praticados por moradores locais, em um episódio que traz à tona o grave cenário de intolerância, preconceito e ódio étnico que ainda persiste contra os povos ciganos no Brasil.

Não podemos permitir que crimes motivados por preconceito continuem sendo tratados com descaso ou invisibilidade. O sangue cigano derramado em Taperoá representa não apenas uma tragédia local, mas um ataque direto à dignidade e aos direitos humanos de todo um povo que há séculos sofre com perseguições, estigmas e exclusões.

A RBPC informa que está tomando todas as providências cabíveis junto às autoridades federais, estaduais e municipais, buscando garantir justiça, proteção às famílias vítimas e segurança para as demais comunidades ciganas da região.

Por fim, reafirmamos nosso compromisso inabalável com a defesa da vida, da verdade e da justiça. Os povos ciganos exigem respeito e direitos iguais. Não descansaremos até que a verdade seja esclarecida e a justiça seja feita.

Rede Brasileira dos Povos Ciganos – RBPC

Em defesa da vida, da dignidade e dos direitos do povo cigano.

Autor: Ascom; RBPC/ Fotos: divulgação