O Tribunal do Júri da Comarca de Maceió condenou, nesta segunda-feira (27/04), José Anselmo Cavalcanti de Melo, conhecido como “Preto Boiadeiro”, e Thiago Ferreira dos Santos, o “Pé de Ferro”, pelo duplo homicídio que vitimou o sargento da reserva da Polícia Militar de Alagoas, Edivaldo Joaquim de Matos, e Samuel Theomar Bezerra Cavalcante.
Preto Boiadeiro foi condenado a 32 anos e três meses de reclusão, enquanto Pé de Ferro recebeu 58 anos e quatro meses de prisão, repetindo a pena aplicada no primeiro julgamento.
MP
Segundo o Ministério Público de Alagoas (MPAL), a acusação apresentou provas consideradas decisivas para demonstrar a autoria material do assassinato do sargento reformado da Polícia Militar Edivaldo Joaquim de Matos e de Samuel Theomar Bezerra Cavalcante.
Advogado alega que entrará com recurso e defende réus
Com a decisão judicial pela transferência do julgamento, a reportagem do Jornal Extra conversou com o advogado dos irmãos boiadeiros, Raimundo Palmeira, que discorda da mudança e garante a inocência dos seus clientes. O defensor dos irmãos “boiadeiros” entrará com recurso para que o julgamento seja realizado na comarca de Arapiraca. “Entrarei com recurso junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo para o julgamento continuar em Batalha, mas também irei sugerir que seja feito na 3ª Entrância de Arapiraca, pois lá seriam jurados que conhecem o caso e que sabem da inocência dos meus clientes. Em Maceió a população não conhece os fatos do processo”, alegou o advogado.
RBPC
A Família dos acusados entrou em contato com a Rede Brasileira dos Povos Ciganos-RBPC, solicitando apoio para analisar todo o processo.
- Revisão Criminal: Instrumento jurídico do art. 621 do CPP, que permite reanalisar condenações contrárias à lei ou à evidência dos autos, sem limite de prazo;
- Foco em Provas:Busca novas provas de inocência ou falhas graves no processo original.
De acordo com o presidente da RBPC, cigano Rogério Ribeiro, casos de condenações injustas, comuns em investigações com falhas na garantia da presunção de inocência, “Vamos analisa todo o processo dos condenados para identificar erros judiciários, frequentemente resultantes de falsas confissões, tortura, reconhecimento falho e famílias que controlam as estruturas” destaca.

Nota
É difícil lutar contra o poder. Mais difícil ainda é enfrentar famílias e estruturas que há décadas controlam influência, narrativa e destino. Em Alagoas, mais uma vez, a balança da justiça parece ter pendido — não para o lado do certo, mas para o lado de quem pesa mais.
A recente condenação dos boiadeiros levanta um alerta grave: quando um processo nasce contaminado, o resultado dificilmente será justo. Um inquérito tendencioso não é apenas um erro técnico — é uma sentença antecipada disfarçada de investigação.
Quando há falhas na coleta de provas, ausência de imparcialidade, direcionamento de testemunhos ou interpretação seletiva dos fatos, laudos técnicos, imparciais e fundamentados cientificamente que visam a verdade real em processos judiciais, o que se constrói não é justiça, é narrativa. E narrativa, quando guiada por interesses, vira instrumento de condenação.
O problema não está apenas na decisão final. Está no caminho.
Porque um processo justo começa com investigação limpa, segue com acusação equilibrada e termina com julgamento imparcial. Quando qualquer uma dessas etapas é corrompida, todo o resto desmorona.
E o que se vê, mais uma vez, é o peso da mão do sistema caindo sobre quem não tem o mesmo poder de defesa, de influência ou de voz.
Não é coincidência.
Não é erro isolado.
É padrão.
A história já mostrou: quando o poder investiga, acusa e julga dentro do mesmo círculo de interesses, a verdade vira detalhe — e o resultado já estava escrito antes mesmo do primeiro depoimento.
Mas há algo que o poder esquece:
toda injustiça registrada hoje se transforma em prova amanhã.
E quem vive da verdade não se cala. Denuncia.
Porque justiça de verdade não pode ser construída sobre erros, nem sustentada por interesses.











