A RBPC divulga nota de repúdio contra discriminação racial, importunação e exposição indevida de imagem de uma cigana.

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A Rede Brasileira dos Povos Ciganos do Brasil´- RBPC vem a público manifestar seu mais veemente e contundente repúdio à conduta de um indivíduo que se apresenta como Natan Santos alcunha “Pai Natã de Oxum Ademun -tranca rua das almas), o qual gravou o vídeo  no dia 10/01, no Supermercado Badot em Xanxerê /SC, divulgou, sem qualquer autorização, vídeo de uma calin (mulher cigana), publicando-o na plataforma TikTok @natansantos, e atribuindo de forma leviana e irresponsável a imagem da vítima como se estivesse vinculada a terreiro ou prática religiosa- no vídeo a seguinte mensagem em destaque “A cigana no mercado atrás de mim cobrando o vinho que prometi pra ela”

 

É preciso afirmar com todas as letras: ser cigano não é religião. Os povos ciganos é uma etnia, com identidade própria, história, cultura, língua e tradição. Associar de maneira indevida e forçada a imagem de uma mulher cigana a qualquer prática religiosa específica, sem consentimento, configura não apenas desinformação, mas uma grave violação de direitos, configura ilícito civil e criminal.

A vítima e seus familiares já registraram Boletim de Ocorrência-BO, a coordenação da RBPC/SC está acompanhando o caso de perto. Estamos diante de possíveis crimes, dentre eles:

Discriminação racial;
Importunação;
Exposição indevida de imagem;
Violação de direitos fundamentais e Difamação: a divulgação de fatos que mancham a reputação.

De acordo com o presidente da RBPC, Cigano Rogério Ribeiro. “Vamos oficializar as autoridades competentes para a retirada imediata do vídeo de todas as plataformas digitais. Retratação pública formal do responsável, com reconhecimento do erro e pedido de desculpas à vítima, à família e ao povo cigano. Entrega integral de todo o material bruto às autoridades policiais para investigação. Apreensão do celular do autor para passar por uma perícia minuciosa. Solicita a gravação das câmeras de monitoramento da parte interna e externa do Supermercado, comunica a federal (associação), ou similar   de candomblé e umbanda o comportamento desse pai de santo” informou.

Os povos ciganos não aceitarão mais ser alvo de apropriações, distorções ou exposições indevidas. Nossa identidade não é figurino, não é personagem, não é objeto de espetáculo. É história viva, marcada por resistência e dignidade.
A tentativa de transformar a imagem de uma mulher cigana em instrumento de narrativa alheia é um ato que ultrapassa o desrespeito individual — atinge toda uma coletividade que há séculos enfrenta preconceito estrutural.

Reafirmamos: não nos calaremos diante de atos que atentem contra nossa honra, nossa cultura e nossa existência enquanto povo.

A RBPC se solidariza com a família da vítima e seguirá acompanhando juridicamente e institucionalmente o caso até que as devidas responsabilizações sejam aplicadas.
Respeitem os povos ciganos.
Respeitem nossas mulheres.
Respeitem nossa identidade.

A Rede Brasileira dos Povos Ciganos do Brasil- RBPC.