A RBPC divulga nota de apoio e solidariedade ao povo indígena Anacé de Caucaia

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A Rede Brasileira dos Povos Ciganos-RBPC vem expressar nossa solidariedade e indignação frente à violência contra os povos indígenas que ocorre neste país há mais de 500 anos e que vem se agravando sistematicamente, como o ocorrido contra o povo indígena Anacé de Caucaia.

A luta indígena não é apenas uma questão de sobrevivência física, mas de preservação do equilíbrio ambiental e da dignidade da democracia brasileira.

A morosidade e a omissão do Estado na demarcação de terras, o que gera insegurança jurídica e vulnerabilidade extrema.

A proteção e a segurança das comunidades indígenas são obrigações do Estado brasileiro, que deve garantir a segurança e proteção das comunidades, respeitando suas tradições, culturas e modos devida.

O ataque

Cerca de 20 homens armados invadiram o local à “Retomada do Bambuzal”. durante a madrugada do dia 29 de janeiro, enquanto famílias dormiam, torturaram e agrediram homens e mulheres, destruíram o acampamento e roubaram objetos sagrados. O episódio reacende o debate sobre a segurança de comunidades tradicionais e a ausência de ações rápidas por parte do poder público.

  • Ataque em 2024: Em 18 de julho de 2024, cerca de 30 homens armados atacaram uma área de retomada do povo Anacé, destruindo barracos e depredando um cemitério.
  • Conflitos Territoriais: O povo Anacé sofre há anos com a pressão de grandes empreendimentos, como o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, que impacta diretamente suas terras ancestrais, o acesso à água e modos de vida.
  • Retomadas: Os Anacé têm realizado retomadas de terras (como no Buritizinho e no Bambuzal) para tentar garantir seus territórios tradicionais, o que tem gerado conflitos com supostos proprietários e homens armados.

Reafirmamos nosso compromisso com a garantia dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, que assegura o respeito às suas culturas, tradições e ao usufruto exclusivo de seus territórios.

Manifestamos nossa solidariedade em favor dos povos Indígenas, de modo especial o povo Anacé e reafirmamos nosso compromisso de somar na luta em defesa de seus direitos e da dignidade humana.

A violência, a invasão de territórios e os ataques contra populações originárias são violações graves dos direitos humanos e, segundo a Constituição Brasileira e tratados internacionais, devem ser investigados e os culpados responsabilizados. A esperança por justiça para esses povos é fundamental para a construção de um país que respeite a diversidade e os direitos fundamentais.

Caucaia, em 19 de fevereiro de 2026.

Rede Brasileira dos Povos Ciganos-RBPC