Prefeito Moacir Mota participa de movimento contra a criação do Parque do Lavrado BR 174.

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“Viveremos uma situação extrema de exclusão. Não acredito que as medidas compensatórias propostas ao governo federal e o governo estadual irão se concretizar. Todos nós sabemos que isso não vai acontecer” diz Moacir Mota.

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Em ato pacifico, na manha deste sábado (1º), o prefeito Moacir Mota (PR) de Amajari, a primeira-dama do município, Gleyce Braga, produtores, moradores e parlamentares participaram do ato de manifestação contra a criação do Parque do Lavrado na BR 174 que liga o estado de Roraima a Venezuela.  O objetivo dos participantes é a manifestação contra a demarcação de 21 mil hectares de área naquele município para criação da unidade de conservação intitulada Parque do Lavrado, proposta do Governo Federal.

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O prefeito Moacir Mota (PR), de Amajari, vai mais longe. Diz que seu município, que terá a maior área cedida para o Parque do Lavrado: 21 mil hectares na região, reduzido à produção para 28,9% a área produtiva do município, praticamente irá sumir do mapa com a criação do parque, acredita que a população do município ficará mais pobre. O Deputado estadual Marcelo Cabral (PMDB), destacou “Esta manifestação é para evitar o colapso com essa demarcação. Serão centenas de produtores prejudicados”, reforçou.

A área

A área proposta fica entre duas reservas: Terra Indígena São Marcos e Terra Indígena Santa Inês. Mais de uma centena de produtores rurais e pecuaristas – caso a proposta seja concretizada – perderão anos de muita luta e trabalho.

Área de Amajari

A área total do município de Amajari/RR é de 2.846.142.254 hectares.

  • Reservas Federais – 6,92%
  • Reservas Indígenas — 59,77%
  • Projetos de assentamentos — 2, 99%.
  • Disponível para moradia, produção agrícola e outras atividades—31%.

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O movimento unem-se oposição e situação

O movimento tomou corpo em defesa da criação do Parque do Lavrado, uniu situação e oposição. Estiveram presentes, entre as quais prefeitos, vereadores e deputados de diferentes partidos.

Território e colonização

Nas primeiras décadas do século XX, sob argumentos positivistas e desenvolvimentistas, os governos empenharam-se em promover a ocupação territorial e a colonização de espaços considerados “devolutos”. Neste período, a literatura sobre o tema registra a ocorrência de inúmeras práticas de “limpeza étnica”, a partir das quais aldeias inteiras foram exterminadas. Centenas de  comunidades foram expulsas de suas terras tradicionais e despejadas em outras localidades.

O protesto

A rodovia, que liga o estado à Venezuela, foi bloqueada às 6h, deste sábado (1º) e foi totalmente liberada até às 18h. Os manifestantes fizeram panfletagem e orientação aos motoristas sobre a criação do parque. A cada 12 minutos, eles liberam a via e depois a bloqueiam novamente. Para quem aguardava na fila formada por conta do bloqueio, o protesto foi ‘válido’ e teve apoio da maioria dos condutores. “Não podem criar mais uma área de proteção. O nosso estado já é cheio de terras indígenas. Já chega. Temos que usar a terra para produzir” explicou o condutor.
Vergonho e injusto

Os produtores rurais da região qualificou a demarcação como ato vergonhoso e imoral, “É vergonhoso, é regredir no tempo. Antes, o nome pra isso era demarcar terra indígena, agora é unidade de conservação, o que dá quase tudo no mesmo. Fatos como esses não contribuem com o desenvolvimento dos municípios, apenas atrasam. Tanta terra indígena improdutiva e vão escolher logo uma que está produzindo. Não podemos de maneira alguma aceitar” Benedito Portela.

“Trabalhei toda minha juventude pra conseguir essa terra, hoje titulada. É lá que criei meus filhos e suei muito pra chegar aonde cheguei. Hoje emprego diretamente oito pessoas. De uma hora pra outra posso ser mandado embora e ainda ser chamado de “intruso” ou “grileiro”. É muito injusto. Adevan Briglia

Sugestão

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O prefeito Moacir Mota sugeriu que ao invés de se criar esse parque, porque não criam grandes e sérios projetos de desenvolvimento com assentamento, para a produção de alimentos da população local, com isso importar menos e produzir mais. Além de implantar uma política agrícola e de comércio de escoamento da produção, que dê condições para os agricultores se fixarem no campo e garantir o sustento de sua família. “É preciso fazer um reestudo e um realinhamento das áreas envolvidas para dar a elas um melhor aproveitamento”, concluiu Mota.

Território e colonização

Nas primeiras décadas do século XX, sob argumentos positivistas e desenvolvimentistas, os governos empenharam-se em promover a ocupação territorial e a colonização de espaços considerados “devolutos”. Neste período, a literatura sobre o tema registra a ocorrência de inúmeras práticas de “limpeza étnica”, a partir das quais aldeias inteiras foram exterminadas. Centenas de  comunidades foram expulsas de suas terras tradicionais e despejadas em outras localidades.

Autor: Rogério Ribeiro/fotos: Isaias Amaral