Polícia ouve equipe médica envolvida no atendimento de mulher que morreu no Hospital Getúlio Vargas

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Família diz que vai recorrer à Justiça e entrar com processo contra o governo do estado e a OS que faz a gestão do hospital. Vídeo mostra desespero do filho implorando por atendimento para a mãe.

A polícia do Rio ouviu, nesta segunda-feira (6/08), a equipe médica do Hospital Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte da cidade, que estava envolvida no atendimento da costureira Irene de Jesus, de 54 anos. Testemunhas e parentes da costureira também vão prestar depoimento. Irene morreu após ter atendimento negado no hospital. A médica que aparece mexendo no celular em um vídeo gravado pelo filho de Irene, também será ouvida pela polícia.

A médica que aparece em imagens feitas pelo filho olhando o celular saiu da delegacia por volta de 11h44. Ela não falou com a imprensa.

Um vídeo registrado pelo filho mostra o desespero dele para tentar conseguir o atendimento para a mãe. Os médicos teriam dito que o estado dela não era grave e que deveria procurar outra unidade de saúde. Irene foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro e horas depois teve de ser transferida de ambulância de volta para o Hospital Getúlio Vargas, onde acabou morrendo.

A família de Irene disse que vai recorrer à Justiça. O advogado João Tancredo informou que vai entrar com processo contra o Governo do RJ e a organização social (OS) que faz a gestão do hospital por negligência médica.

Filho registra desespero

Assim que chegaram à unidade, os filhos colocaram Irene numa cadeira de rodas. Depois de meia hora sem nenhum tipo de atendimento, Rangel resolveu percorrer o hospital com o celular na mão, mostrando o que os profissionais de saúde estavam fazendo, já que nenhum paciente era chamado para ser atendido.

As imagens mostram o filho da paciente entrando no consultório, pedindo socorro, mas encontrou uma médica mexendo no celular, junto com outros enfermeiros. Ele perguntou a ela o porquê de não chamar nenhum paciente. A médica disse que era necessário aguardar, que necessitava de uma ficha com o nome do paciente e que só depois disso poderia iniciar a consulta.

Autor: Da redação com Alba Valéria Mendonça, G1 Rio/Foto: Reprodução/ TV Globo)