Papa pede paz em Jerusalém e reza para alcançar solução com dois Estados

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Pontífice pede que diálogo prevaleça nas negociações, e também cita Venezuela.

O papa Francisco pediu nesta segunda-feira “paz para Jerusalém e toda a Terra Santa” e rezar para alcançar “uma solução negociada” afim de chegar à criação de dois Estados em sua mensagem Urbi et Orbi de Natal. O diálogo foi o cerne do discurso do líder religioso. Ele lamentou “os ventos da guerra” no mundo que se refletem no sofrimento das crianças, fazendo menção a tensões em outras regiões como Venezuela, Península Coreana e África.

— Os ventos da guerra estão soprando no mundo e uma modelo atrasado de desenvolvimento continua a produzir o declínio humano, social e ambiental.

Foi a segunda vez que o pontífice fala publicamente sobre Jerusalém desde que o presidente americano Donald Trump reconheceu a cidade sagrada a três religiões — islamismo, judaísmo e cristianismo — como capital de Israel, o que gerou furor e indignação no mundo árabe. Ele pedira anteriormente que o status da cidade fosse respeitado, diante das tensões que emergiram com a decisão americana.

— Neste dia da festa, invocamos o Senhor pedindo paz para Jerusalém e para toda a Terra Santa — disse o Papa. — Rezemos para que entre as partes envolvidas prevaleça a vontade de retomar o diálogo e, finalmente, chegar a uma solução negociada, permitindo a coexistência pacífica de dois Estados.

CONFLITOS PELO MUNDO

Francisco pediu também que seja restabelecido um “diálogo sereno” na Venezuela, tendo como prioridade o bem-estar do povo venezuelano.

— Confiamos a Venezuela ao Menino Jesus para que se possa retomar um diálogo sereno entre os diversos componentes sociais pelo bem de todo o querido povo venezuelano — afirmou o Papa.

No domingo, o governo venezuelano anunciou a libertação de 36 opositores em um grupo de 80 presos políticos que serão liberado para o Natal, conforme decisão da Assembleia Nacional Constituinte, órgão totalmente ligado ao presidente Nicolás Maduro que conduz uma reformulação das leis venezuelanas. A situação dos detidos encarcerados faz parte das negociações entre governo e oposição na República Dominicana para resolver a grave crise político-econômica no país. A terceira rodada de debates será em 11 e 12 de janeiro.

Francisco falou do Iraque, “ainda ferido e dividido pelas hostilidades”, e do Iêmen, “onde acontece um conflito em grande parte esquecido”, enquanto a população sofre com a fome e doenças.

— Vemos Jesus em todas as crianças das zonas do mundo onde a paz e a segurança são ameaçadas pelo perigo das tensões e de novos conflitos — avaliou.

E também fez um apelo “à confiança recíproca” na península coreana, dizendo rezar “para que as divergências possam ser superadas”. No domingo, a Coreia do Norte chamou de “ato de guerra” as novas sanções adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU, reafirmando que elas não vão dissuadir o governo de continuar com seus programas nuclear e balístico.

No domingo, Francisco já havia feito um forte discurso durante a homilia de Natal, no qual denunciou o drama dos refugiados no planeta. Ele afirmou que muitos inocentes “são expulsos de suas terras” frequentemente por dirigentes dispostos a “derramar sangue inocente”. Ele fez um chamado “à caridade” e à “hospitalidade”.

Autor: Da redação O Globo / Com agências internacionais/Alessandra Tarantino / AP