Palestras, escutas e dinâmicas são ações no primeiro dia da campanha “Setembro Amarelo” do Judiciário.

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No primeiro dia da programação do “Setembro Amarelo” no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), a psicóloga Patrícia Passos conversou com servidores sobre o tema “Valorização da Vida”. Durante o encontro, que ocorreu no período da tarde, a profissional enfatizou os aspectos que precisam ser observados para o diagnóstico de uma possível depressão. De acordo com a ela, é preciso estar “atento aos sinais em si e no outro”, como alterações de sono, reclamação de cansaço, tristeza profunda, falta de interesse em participar de eventos ou encontros, sentimento de inutilidade, entre outros. Para a servidora Tereza Teixeira de Meneses, o tema é oportuno e essencial. “Estamos passando por períodos difíceis, em que jovens estão se suicidando, desmotivados por falta de empregos e outras oportunidades. Portanto, palestras como essa deveriam ser ministradas todos os meses”, disse.

Já no Fórum Clóvis Beviláqua, também no período da tarde, ocorreram escutas e dinâmicas conduzidas por profissionais do Instituto Bia Dote, organização sem fins lucrativos que trabalha com a valorização da vida desde 2013.

Uma equipe de sete voluntários realizou atendimento no hall do Fórum, orientando e tirando dúvidas do público em geral. A autônoma Lindoneide da Costa foi acolhida e se emocionou com a ação: “A gente vive tantas situações difíceis e se sente tão só. E aí aparecem essas pessoas que, mesmo nessa correria do dia a dia, arranjam tempo pra conversar, trazer uma palavra e ainda dar um abraço no final. É um calor humano, não tenho palavras”.

Além do espaço terapêutico, houve ainda panfletagem e a realização de dinâmicas como a performance promovida pelo ator e voluntário Filipe Rolim, que utiliza balões como convite para iniciar uma conversa amigável. Ao pedir às pessoas para ajudar a encher balões e “emprestar seu fôlego”, ele usa outras alegorias para falar sobre situações de cansaço, de dor, e perceber sintomas de depressão. “Depois, todos os balões são amarrados e integrados à decoração, para que o fôlego de muitos ilumine a vida de outras pessoas”, disse.

A estudante de Direito Cibele Dias participou de outra dinâmica envolvendo mitos e verdades sobre o suicídio. Um dos pensamentos equivocados é o de que não se deve falar sobre o assunto. “Achei incrível a iniciativa. É preciso mesmo trazer essa discussão à tona e orientar as pessoas”, declarou.
Outro mito envolvendo o tema é o de que a pessoa só quer chamar a atenção. A advogada Alana Alcântara, que passou por um caso de tentativa de suicídio na família, recebeu o panfleto dos psicólogos e recordou a situação. “Ela ameaçava tirar a própria vida, mas ninguém quis acreditar. Até que ela tentou duas vezes, e hoje eu sei que não se deve nunca ignorar”, relatou. A advogada elogiou a campanha do Poder Judiciário. “Precisamos disso. Não é só a família que precisa ajudar, mas toda a sociedade e todas as instituições.”

Ao longo da semana, o Fórum continua promovendo escutas e acolhidas com psicólogos do Judiciário e do Centro de Valorização da Vida (CVV), além de palestras, teatro e outras ações. A iniciativa faz parte de ampla programação que ocorre no TJCE e Fórum Clóvis Beviláqua até o próximo dia 30.

Autor: Da redação com ascom/Foto: ascom