Palestra do maior especialista brasileiro na prevenção do suicídio abre Setembro Amarelo no Ceará

533

“Qualquer doença incomoda e falar sobre ela também incomoda. Mas é preciso não ter receio e falar abertamente sobre transtornos mentais para evitar o suicídio. É preciso mudar essa realidade!”. A afirmação é do psiquiatra José Manoel Bertolote, criador do programa de prevenção do suicídio da Organização Mundial de Saúde (OMS), e levou o alerta sobre o tema para um auditório lotado de profissionais da saúde, da educação e da assistência social, além do público em geral. A palestra do especialista abriu o Seminário “A evolução da prevenção do suicídio no Brasil e no Mundo: diretrizes para uma política efetiva”, que lançou a Campanha Setembro Amarelo 2019 no Ceará, nesta sexta-feira (30/08), na Universidade do Parlamento Cearense (Unipace), em Fortaleza.

O evento foi realizado pelo projeto “Vidas Preservadas: o Ministério Público e a sociedade pela prevenção do suicídio” e contou com a presença da primeira-dama da Prefeitura de Fortaleza, Carol Bezerra; do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, Dr. José Sarto Nogueira; dos promotores de Justiça Hugo Mendonça, Hugo Porto e Elizabeth Almeida; da procuradora de Justiça Isabel Pôrto; dos deputados estaduais da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental e Combate à depressão e ao suicídio Evandro Leitão, Patrícia Aguiar e Renato Roseno; além de representantes da Saúde Mental do Estado e das prefeituras, de entidades privadas e não governamentais.

“O suicídio hoje é considerado uma epidemia no mundo, no Brasil e no nosso estado também. 51% de todas as mortes violentas que acontecem no mundo hoje são decorrentes de suicídio. E, mesmo assim, todos os entes envolvidos sabem que existe uma alta subnotificação dos casos. Por isso, as Vidas Preservadas reúne as principais instituições públicas, privadas e não governamentais que atuam no cuidado da saúde mental da população para trabalhar em conjunto na prevenção, intervenção e convenção”, explica o promotor de Justiça, Hugo Mendonça, um dos coordenadores do projeto no Estado.

Em décadas de estudo e atuação junto à OMS, José Manoel Bertolote chegou à conclusão sobre os meios mais eficazes para intervir em casos como esses. “Suicídio não é doença mental. Ele é um fenômeno associado à diversos tipos de doenças, a maioria delas mentais e algumas físicas. O tratamento dessas doenças – em especial depressão, alcoolismo e esquizofrenia -, pode reduzir substancialmente o índice de suicídios. Além disso, o seguimento dos casos de tentativa de suicídio, o controle do uso de substâncias tóxicas, o controle de armas pessoais, a moderação dos meios de comunicação e a instalação de barreiras físicas também são, comprovadamente, importantes agentes redutores dessas taxas”, esclareceu.

Depois da palestra do consultor internacional sobre o tema, a mesa recebeu outros dois debatedores: a psicóloga da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Alessandra Xavier, e o Major Edir Paixão, do Corpo de Bombeiros do Ceará. O militar relatou a experiência da corporação no bloqueio de tentativas de suicídio, que hoje conta com uma taxa de 100% de sucesso ao evitar esse tipo de ação. Já Alessandra Xavier defendeu a importância da pesquisa acadêmica como fator de mudança dessa realidade no mundo. “Eu acho que é preciso valorizar o saber científico, é preciso inserir esse conhecimento no processo de cuidado da nossa saúde, principalmente nas políticas públicas. A prevenção do suicídio não tem uma resposta mágica e rápida. É um processo demorado, que exige a integração de cuidadores da saúde, da educação, da assistência social. A melhor tecnologia social de cuidados é a criação de vínculos com outro ser humano. Sem a ajuda do outro, não é possível combater essa epidemia”.

A programação do Seminário se estende pelo período da tarde, quando José Manoel Bertolote participa de uma capacitação exclusiva para profissionais das redes públicas e privadas de saúde, dos municípios e do estado, como forma de atualizar os métodos de atuação dessas equipes nos cuidados aos pacientes com transtornos mentais e físicos no Ceará.

Campanha Recados Amarelos

E para marcar o mês que alerta sobre o tema, o Ministério Público do Estado do Ceará, através do Projeto Vidas Preservadas, vai realizar a campanha #RecadosAmarelos nas redes sociais. Todo dia ímpar de setembro, serão publicadas mensagens de incentivo escritas a mão em bilhetes amarelos no perfil do Instagram @mpce_oficial. A ideia é oferecer uma palavra amiga e de apoio para quem mais precisa. E qualquer um pode participar: basta escrever sua própria frase em um papel amarelo, fotografar e publicar marcando a #RecadosAmarelos e o @mpce_oficial. As mensagens serão repostadas e podem ajudar milhares de pessoas.

*Se você precisa de ajuda ou conhece quem precisa, busque apoio no Centro de Valorização da Vida (CVV), através do telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br

*Confira aqui a programação dos mais diversos parceiros para a Campanha Setembro Amarelo 2019 no Ceará.

*Veja aqui a lista de parceiros do Vidas Preservadas, que realizam a Campanha Setembro Amarelo e também diversas ações ao longo do ano.

Autor: Da redação com ascom/Foto: ascom