Multidão pede em Tel Aviv fim da cultura do “ódio assassino”

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Atos ocorrem após morte de bebê palestino e homem ter esfaqueado participantes da parada gay

Milhares de pessoas se concentraram neste sábado em várias partes de Israel em manifestações para mostrar rejeição à violência e exigir ao governo que acabe com a instigação extremista, dois dias depois do ataque contra a comunidade gay e no dia seguinte ao incêndio na casa da família palestina Dawabsha, ações que comoveram o país.

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“Não ao ódio assassino” é o slogan da maior concentração, convocada pela ONG Peace Now, na qual participam mais de 3 mil pessoas na Praça Rabin, em Tel Aviv, e onde é possível ver cartazes com mensagens como “Não a incitação da direita assassina”, “Este é o preço do terrorismo” e “Quando não há paz, vem a guerra”. Os participantes fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao bebê Ali Dawabsha, assassinado ontem quando sua casa foi incendiada, aparentemente, por colonos em um ataque que deixou ainda seus pais e seu irmão gravemente feridos.

O chefe da oposição israelense e líder trabalhista, Isaac Herzog, qualificou os fatos de “massacre”. “Choramos pelo bebê e pela família. Terrorismo é terrorismo e ponto. Terroristas são terroristas e ponto. Estendo a minha mão ao povo palestino e a seus dirigentes e peço que façamos a paz”, disse ele.

Em mensagem dirigida aos setores mais extremistas, Herzog afirmou que não irá se calar. “Vamos mandá-los à prisão. Há anos vemos este tipo de reação. Não vamos permitir que arruínem o Estado. Se eu estivesse na posição de primeiro-ministro diria ao Shabak (serviço de Inteligência interno) e aos organismos de segurança que lutem contra o terrorismo judeu como fazem com o islâmico”, disse o político, orientando à extrema direita do país a fazer um exame de consciência.

Ao fim este ato, no qual também discursarão a líder do partido pacifista Meretz, Zehava Gal-On, e o deputado do Hatnua e ex-ministro de Defesa Amir Peretz, os manifestantes se juntarão a outro grupo no Parque Meir. Lá, eles irão protestar contra o esfaqueamento de seis pessoas na Parada Gay de Jerusalém na quinta-feira passada e lembrar os seis anos do ataque contra o centro da comunidade gay jovem de Tel Aviv, no qual duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas.

Também estão acontecendo concentrações no centro da cidade de Haifa, com o slogan “Contra os crimes da ocupação” e em Jerusalém, na Praça Sião, onde é aguardada a chegada do presidente de Israel Reuven Rivlin e na qual milhares de pessoas pedem o fim da intolerância e que os responsáveis pelos recentes ataques sejam punidos.

Autor: Agencia EFE / Fotos: Divulgação