Motorista mandou SMS para mulher falando que atrasaria: ‘Muita neblina’

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Polícia divulgou Boletim de Ocorrência com 14 nomes. Corpos estão sendo identificados no IML de Guarujá.

O motorista que dirigia o ônibus que capotou na rodovia Mogi-Bertioga e resultou em 18 mortes, na noite desta quarta-feira (8), avisou a esposa, por meio de uma mensagem de celular, que chegaria mais tarde em casa por conta da neblina na rodovia. Antônio Carlos da Silva, de 37 anos, também foi uma das vítimas fatais do acidente.

Segundo o irmão da vítima, Anderson da Silva, o motorista trabalhava há cerca de 10 anos na função, sendo que os últimos dois anos foram de serviços prestados a empresa União Litoral, responsável pelo veículo envolvido no acidente. “Ele mandou uma mensagem para a mulher dele, por volta das 22h, dizendo que iria chegar mais tarde em casa porque tinha muita neblina. Por isso, ele deveria estar mais devagar”, explicou o irmão.

O acidente
Ainda de acordo com Anderson, a vítima, que tinha uma filha de 14 anos e um filho de 10, estava com o casamento marcado para esse ano e fazia planos sobre sua nova moradia.

Subiu para 18 o número de mortos no acidente envolvendo um ônibus fretado que capotou, na noite desta quarta-feira, na Rodovia Mogi-Bertioga, no limite entre as cidades de Mogi das Cruzes e Bertioga.

 

acidente onibus

O veículo levava estudantes de três unidades de ensino da cidade de Mogi das Cruzes para o município de São Sebastião. Antes do acidente, o ônibus seguia em comboio com outros três veículos quando, no Km 84, o motorista perdeu o controle ao bater em um rochedo na pista contrária, capotou e caiu em um barranco.

De acordo com o delegado Fábio Pierri, não chovia e não havia neblina no momento do acidente, mas a pista poderia estar escorregadia.

Em entrevista, ele afirmou que o motorista estava em alta velocidade. Porém, disse que ainda é cedo para fechar o caso. “Inicialmente posso falar que houve excesso de velocidade. Ele [motorista] estava a mais de 80 km/h”, disse Pierry. A placas no local do acidente indicam limite de 60 km/h.

“Não descartamos que o motorista possa ter dormido. Temos que montar o quebra-cabeça de tudo. A perita afirmou que o ônibus tombou na pista, foi arrastando, arrancando árvores e caiu na valeta. Por algum motivo ele tombou e temos que montar para ver o fator determinante disso”, reforçou.

Segundo a Artesp (agência de regulação), a Viação União do Litoral Transporte e Turismo Ltda está cadastrada para fazer serviço de fretamento. O veículo envolvido no acidente foi vistoriado em 2015, e esta vistoria tem validade até 26 de agosto de 2016. A credencial da empresa, que deve ser renovada a cada cinco anos, termina em 31 de outubro de 2016 e pode ser renovada se cumprir todas as determinações legais.

Autor: Da redação com Guilherme Lucio da Rocha e João Paulo de Castro/Foto: João Paulo de Castro/G1)