Moradores de rua erguem ‘casa’ na Praça do Cristo Rei em Fortaleza

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Construção foi erguida depois que os tapumes da obra do Metrofor foram retirados, segundo vizinhos.

Moradores de rua ergueram uma casa na Praça da Bandeira, conhecida como do Cristo Rei, no Bairro Aldeota, em Fortaleza, há cerca de seis meses. A praça ficou interditada cerca quatro anos para a construção de uma das estações da Linha Leste do Metrofor e, no segundo semestre de 2017, foi liberada pela Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), responsável pela obra.

De acordo com a comerciante Rosali Bernades, a casa começou a ser construída por quatro pessoas. Segundo ela, o resto do material de construção das obras do Metrofor foi aproveitado na construção que tem piso, tijolos, telhas e até iluminação. “Eles pegaram o resto do que sobrou da obra do Metrô que não terminou. A praça ficou interditada e quando a prefeitura retirou os tapumes eles iniciaram a construção”, disse.

Moradores e frequentadores da praça, que fica em frente ao Colégio Militar de Fortaleza e da Igreja do Cristo Rei, relatam que cerca de 15 pessoas moram atualmente no local. Segundo eles, a praça está abandonada.

Na maior parte do dia uma senhora e outras duas mulheres ficam na casa. À noite, mais gente aparece, e pede dinheiro para motoristas estacionarem perto da praça para ir ao Colégio Militar ou para a missa na Igreja Cristo Rei, conforme os vizinhos . “O grupo se divide e vai pedir dinheiro para as pessoas. Quando alguém não dá eles ameaçam dizendo sempre para as pessoas não voltarem. Há registros também de assaltos”, diz.

O taxista Régis Araújo que trabalha na praça lembra que a frequência de clientes dimunuiu depois que o lugar passou a não receber infraestrutura por parte da prefeitura. Ele recorda que antes das obras a praça era sempre muito movimentada.

“Muita gente ganhava a vida com pequenos negócios. A deterioriação da praça expulsou o cidadão de bem e trouxe famílias que não têm onde morar como é o caso dessas pessoas”, diz.

Uma moradora que pediu para não ser identificada relata que o problema é grave. Ela conta que a praça está abandonada. E é comum ver pessoas fazendo sexo, usando e vendendo drogas e tomando banho.

“Eu não consigo entender como a prefeitura de Fortaleza ou qualquer outro órgão não tomou uma providência. Problema é sério. Em qualquer hora do dia é possível ver eles fazendo sexo. Tomando banho nus a céu aberto. Fora que é ponto de usuários de drogas e de venda. Pela noite param carros e eles passam drogas para as pessoas”, diz.

Outra denúncia que a moradora faz é que os sem-teto utilizam energia furtada na casa. “Lá dentro do ambiente é possível ver idosos, crianças e mulheres. Há energia dentro do local. Fiquei sabendo que eles estão puxando de forma criminosa energia de um poste de iluminação”, conta. A Enel, distribuidora de energia no Ceará, enviou uma equipe ao local para verificar o problema do furto de energia. De acordo com a empresa, não há irregularidades e trata-se de uma ligação provisória.

‘Boas condições’

A Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) explicou, por meio de nota, que a desmontagem do canteiro de obras instalado na praça foi iniciada no final de 2017, por meio de uma força-tarefa que contou com a Cia. Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor) e a Prefeitura de Fortaleza.

Segundo a Seinfra, foram executados a retirada dos tapumes, portões e guaritas, o recolhimento do entulho, a poda de árvores e a recomposição da iluminação e do pavimento de paralelepípedo. A Seinfra lembra que os trabalhos foram realizados para que a praça fosse entregue em boas condições.

Sobre a questão da população em situação de rua em Fortaleza, a Seinfra disse que o problema é tratado pelo poder público municipal. Assim, a Seinfra aguarda a retirada das famílias para fazer a demolição das estruturas.

Famílias são assistidas

Por meio de nota, a Secretaria dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), disse que tem amplo trabalho de assistência ao público em situação de rua.

No caso da praça localizada em frente à Igreja do Cristo Rei, nas proximidades do Colégio Militar, a equipe da Coordenadoria Integrada da Assistência Social (COIAS) da SDHDS já realizou a abordagem social com as famílias em questão.

A secretaria informou que são três famílias, que já são assistidas pela secretaria e já foram encaminhadas para o Centro Pop (equipamento da Prefeitura de assistência à população de rua) e tiveram acesso à documentação civil, atualização cadastral do Bolsa Família, encaminhamento para saúde, acolhimento institucional. Com relação aos filhos, estão matriculados na Escola São Rafael, na Praia de Iracema, e recebem Bolsa Família.

Autor: Da redação com G1 CE/Foto: Reprodução