Instituto Cigano do Brasil e Associação Circense do Ceará juntos traçando estratégias

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Na manhã desta quinta-feira (7/11), o presidente do Instituto Cigano do Brasil-ICB, o cigano calon Rogério Ribeiro se reuniu com o presidente da Associação dos Proprietários, Artistas e Escolas de Circo do Ceará – APAECE, Reginaldo Aparecido Calvo (Palhaço Ximbica), pertencente à 3ª geração da Família Calvo, família esta que mantém uma tradição no circo tradicional a mais de cinco décadas. Até o início do século XX, vários ciganos se casaram com circenses não-ciganos e passaram a trabalhar juntos.

Atualmente é proprietário do Circo América, que atua no Estado do Ceará, levando ao público apreciador, espetáculos inovadores e de grande qualidade técnica e artística.

Vários assuntos foram discutidos, porém o principal foi a respeito da situação do Circo do Palhaço Café de Jaguaribe.

De acordo com o presidente do ICB, Independente da estrutura, os circos e seu mundo mágico ainda encantam… por onde quer que passem e montem o picadeiro, “Uma conversa de extrema importância, saio muito contente com a receptividade do presidente Reginaldo Calvo com a minha pessoa, fechamos um acordo de parceria em busca de apoio junto o governo do estado para a população circense do Ceará, e especial para o Circo do Palhaço Café” disse o cigano.

O presidente da APAECE destacou a importância do Circo, “Os espetáculos circenses fazem parte da arte popular e estão nas raízes da nossa cultura, trazendo diversão, lazer e arte para a população” lembrou Reginaldo.

Rastro da destruição

O Circo do Palhaço Café foi destruindo devido o vento forte de até 78,8 km/h, causando estragos em diversos pontos da cidade de Jaguaribe, no interior do Ceará, na tarde do dia (20/10), a ventania que acompanhou a precipitação  destruiu toda a estrutura do Circo do Palhaço Café, além de danificar varias cadeiras de plástico.

Todo o sustento da família vem da bilheteria, a soma pagava os salários de 3 (três) pessoas, comprava alimentos e pagava o traslado de cada viagem. Dessa vez eles não têm de onde tirar dinheiro para comprar a lona e alimentação. O casal e sua filha compartilham não só o lar e a profissão, mas também as histórias que vivenciaram.

Ciganos Circenses

Atualmente, os maiores circos pertencentes a famílias ciganas no Brasil são: Circo Orlando Orfei (manouches italianos); Le Cirque (da família Stevanovitch); Circo Nova York (de João Augusto Micalovitch), Circo México (kalderash americano). Os Sbano são uma tradicional família circense, conhecidos principalmente pelo seu número de laços e chicotes. O já falecido Capitão Zurka Sbano, cigano Kalderash nascido em 1923, contou que sua família tornou-se circense em fins do século XIX. Seu avô teria lhe relatado que trabalhava como mascate, vendendo pequenas coisas, parando nas fazendas e fazendo pequenos trabalhos, produzindo tachos e alambiques. Depois a família entrou para o circo e tornaram-se artistas. Hoje, já estão na quinta geração circense.

Autor/Fotos: Ascom ICB