Famílias que vivem em situação sub-humana recebem visitas de vereadores

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Apesar das condições sub-humanas de moradia, as famílias não querem sair antes de ter uma solução definitiva que garanta moradia própria.

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Barracos da Ocupação Vida Nova

Na manhã desta quinta-feira, (4/09) uma comitiva de vereadores de oposição, capitaneada pelo vice-prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor (PTB) e pelo presidente da Câmara Municipal de Iguatu-CMI, vereador Rubenildo Cadeira (PRB), estiveram em loco visitando as famílias da ocupação do bairro Filadélfia denominada Vida Nova.

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Na oportunidade, os vereadores de oposição ao prefeito de Iguatu, Aderilo Alcântara (PRB), comentaram que os vereadores de situação, secretários e o prefeito foram convidados, porém não compareceram no local. Os vereadores de oposição mantiveram o apoio às famílias. Segundo eles, a importância de estarem naquele momento com aquelas famílias foi no sentido de conhecer de perto como vivem essas famílias e acrescentaram que é preciso que sejam tomadas ações emergenciais, classificando como desumana tal situação. Os parlamentares presente foram em unanime em afirmar que “o prefeito está se esquivando dessa questão e que as famílias têm que permanecer unidos e fortes e que a Câmara Municipal de Iguatu, não vai medir esforços dentro da legalidade para atender as famílias.

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O presidente da CMI-Iguatu, Rubenildo Cadeira lembrou, “A politica nessa situação não deve ter lado, o lado é da população, e nós vereadores de oposição estamos com a população, que hoje vive oprimida pelo sistema de um desgoverno municipal. Ninguém se submete a uma situação dessas se não estiver precisando” disse Rubenildo.

Uma das representantes da ocupação, dona Maria Barbosa “Temos o direito a moradia, aqui temos crianças que estão doentes, com o forte calor nas barracas, até água o prefeito mandou corta. Deus não mandou uma procuração de terra para ninguém. Estamos aqui no lixo desassistido, e só vamos sair daqui com um terreno”.

Trecho da fala do vice-prefeito

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O vice-prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor, explicou que rompeu politicamente e administrativamente com o prefeito Aderillo Alcântara, pela falta de compromisso com o povo e por atender apenas o seu senhor. Um dos principais motivos para o rompimento da relação com a administração se deve à falta de autonomia que tinha no cargo. “Sempre busquei o diálogo, sempre busquei uma oportunidade de ser útil para a sociedade iguatuense” explicou Ednaldo que falou sobre o apoio as famílias, “Nós estamos apoiando a causa de vocês, o que aconteceu aqui, no João Paulo II e na Areia, é porque o déficit habitacional é muito grande, olhando nos olhos de vocês e nas situações de um vejo que realmente vocês estão precisando, os iguatuenses acordaram. O prefeito tem que entende que não é dessa maneira, cortando água, energia e colocando assistente social para dizer que vai coloca as crianças em um abrigo, isso é um absurdo”.

Trechos das falas dos vereadores

Vereador Mario Rodrigues, “Nós não temos o poder de dar terreno, mais temos o poder de cobrar do prefeito. Os programas habitacionais chegam a todo lugar só não chega aqui em Iguatu, um exemplo foi entregue 1.600 casas do Programa Minha Casa Minha Vida na cidade de Juazeiro do Norte” explicou Rodrigues que fez uma denuncia” Era para ter 980 casas em Iguatu, do referido programa, porém não deu certo porque eles queriam ganhar uma ponta (dinheiro) do empresário que não é do estado do Ceará, e com os indícios de extorsão o empresário desistir de construir as casas e afirmou que só passa em Iguatu só de avião e de helicóptero. As empresas não se instalam no município, porque eles querem ser sócios, uma máfia do dinheiro” afirmou o vereador.

veradores

Para o vereador Romulo Fernandes, “O povo tem culpa por votar em pessoas que não tem compromissos com a saúde, educação, segurança e a habitação, são 12 anos que eles estão no poder, são perversos”.

Vereador Vicente Reinaldo: “Não temos a caneta, mais vamos cobrar do prefeito o direito de moradia para as famílias”.

Vereadora Cida Albuquerque: “Vocês estão vendo aqui os vereadores que estão com vocês e não com o prefeito. Mantenham a união e a força”.

Vereador Marciano da Rodoviária qualificou como “Uma grande injustiça que o poder executivo municipal esta fazendo com essas famílias, até a água da academia cortaram, nós vereadores de oposição vamos cobrar do SAAE por que foi cortada a água daqui”.

Igreja Católica se faz presente

O coordenador da Pastoral Social de Iguatu, Padre Anastácio Ferreira, Irmãos Maristas e representantes da paroquia Nossa Senhora Santana e as irmãs e representantes da Comissão de Justiça e Paz da diocese estiveram no local da ocupação.

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Pe. Anastácio Ferreira

De acordo com o padre Anastácio “O primeiro passo vocês deram que foi a ocupação, estão lutando pelo direito de vocês, agora é preciso muita união e respeito um com o outro, e depois o processo de organização, vai exigindo mais organização interna, vai vim historia de cadastro que vocês estão cansados. Que venham apoiadores mais a luta é de vocês conte com a nossa presença”.

Os ocupantes

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As 300 famílias estão acampadas há 5 dias numa área pública municipal, onde existe uma edificação da academia de saúde, que está em estado de abandono. As pessoas acamparam por falta de condições de pagar os aluguéis, outras porque não tem moradia e outras viviam de favor ou com parentes. No local acharam uma forma de ter um pedacinho de terra e uma esperança de consegui uma moradia definitiva.

A miséria

Sob condições precárias de saúde e higiene, as crianças, adultos e idosos vivem em barracos de lona e madeira e sofrem da mesma angústia de conquistar um lugar decente para morar.

Francisco de Assis 58 anos vive com a mulher e 4 filhos em um barraco. “A esposa está cadastrada há oito anos no setor de habitação para tentar a sorte de ganhar uma casa popular. Estou com esperança de que agora minha esposa será contemplada”

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Casal Marciana e Flavio trouxe a família pois não tem onde morar.

O casal, Marciana Gomes Bezerra, 25 anos e Flavio da Silva 24 anos, estão em uma barraca com os filhos D.A.S., 9 meses e M.A.S, 3 anos, ele carpinteiro e esta vivendo de bicos, por não ter condições de paga aluguel decidiu ocupar um espaço com esperança de ganhar uma casa, a mãe das crianças reclama a falta de apoio do poder executivo, “Aqui é muito quente o meu filho de 9 meses é prematuro, não temos condições de paga aluguel, a 6 anos que nós vivemos de favor, mesmo com esse sofrimento estamos com esperança de ganhar uma casa”

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Dona Maria Helena mostra o colchão que divide com seus 5 filhos.

Dona Maria Helena da Silva, 41 anos, divide o colchão e um papelão com cinco filhos e há dois anos viver nas casas de favor, “Essa ocupação é a nossa esperança, há 10 anos fiz um cadastro na prefeitura e nada. É muito sofrimento para essas famílias que estão aqui, até a água cortaram é uma injustiça o que o prefeito esta fazendo contra nós”.

A cozinha é improvisada no chão. “cozinhar um feijão” com ajuda do fogo à lenha, que pode provocar um incêndio a qualquer momento.

O local

As divisões com lençóis e madeiras, que demarcavam originalmente cada lote, deram lugar a barracos em compensado, divididos por corredores estreitos, onde circulam adultos e crianças, em meio a insetos e mato. Os banheiros são improvisados as famílias dependem da vizinhança para conseguir água, porque a água do prédio da academia de saúde foi cortada segundo as famílias a mando do prefeito.

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Presenças:

Do vice-prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor e dos vereadores de oposição Rubenildo Cadeira (PRB), Vicente Reinaldo (PROS), Cida Albuquerque (PCdoB), Romulo Fernandes (PT), Mario Rodrigues (PSB) e Marciano da Rodoviária (PTB). Também padre Anastácio Ferreira e a comissão da pastoral social da igreja católica.

 

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Autor/Foto: Rogério Ribeiro