Evidências indicam que motorista de ônibus foi responsável por acidente com 9 mortes na BR-020, diz delegado

278

Responsável por investigação afirma que depoimentos de testemunhas corroboram a tese. Colisão, que também envolveu duas carretas, deixou ainda 34 feridos, em Formosa.

A Polícia Civil começou a investigar as causas do acidente que matou 9 pessoas e feriu outras 34 na BR-020, em Formosa, no Entorno do Distrito Federal. A colisão envolveu um ônibus e duas carretas. Segundo o delegado Antônio Humberto Soares, pelo que foi levantado até o momento, a principal suspeita é que o motorista do ônibus, Édson Lopes Lima, de 47 anos, uma das vítimas fatais, tenha dormido ao volante e provocado a batida.

“As evidências que nós vimos no local, como o ponto de repouso do ônibus, o local de impacto que a carreta acertou, bem como as testemunhas que foram ouvidas no local e prestaram um relato harmonioso indicam que a responsabilidade do acidente, de fato, tenha ocorrido pelo motorista do ônibus”, afirmou.

Um laudo apontando as circunstâncias do acidente será confeccionado pela Polícia Técnico Científica. O documento deve ficar pronto em uma semana.

A colisão ocorreu na quinta-feira (15/02), por volta das 6h30, no Km 45 da rodovia, entre os povoados de JK e Bezerra. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista do ônibus – que partiu de Cajazeiras, na Paraíba, com destino a Goiânia – invadiu a contramão, causando a batida. A corporação disse não ser possível afirmar que ele tentasse uma ultrapassagem na hora da batida.

Com a batida, uma das carretas, carregada de adubo, perdeu o controle e colidiu no guard-rail. Após isso, ela bateu em uma segunda carreta, que estava descarregada, e tombou em seguida.

A Polícia Rodoviária Federal informou que o motorista deste terceiro veículo estava com um mandado de prisão em aberto por receptação e só possuía CNH na categoria AB (moto e carro), quando deveria ter a E.

Segundo a PRF, o trecho onde houve a colisão é de pista simples. A ultrapassagem no local é permitida apenas em um dos sentidos. Por conta da colisão, o local ficou interditado por mais de 10 horas. O congestionamento chegou a 4 km em cada sentido da via.

Vítimas

Nove pessoas morreram no acidente. Seis delas ainda no local, incluindo o motorista do ônibus e uma criança de apenas um ano e quatro meses. Outras três, que foram socorridas e levadas ao Instituto Hospital de Base, em Brasília, também não resistiram aos ferimentos.

Até o início da noite desta quinta (15), os nomes de quatro vítimas tinham sido divulgados:

Édson Lopes Lima, de 47 anos, motorista do Expresso Guanabara (morreu no local)

Pedro Nobrega de Araújo, de 54 anos, comerciante (morreu no local)

Antônio Elton Pereira Rodovalho, de 38 anos (morreu no local)

Terezinha Félix dos Santos, de 58 anos (morreu no Instituto Hospital de Base)

Dos 43 passageiros, 23 foram levados com ferimentos leves para o Hospital Municipal de Formosa. Eles receberam atendimento e foram liberados. Somente o motorista da carreta segue internado no local.

Segundo a Secretaria de Saúde do DF, o último boletim, atualizado às 18h de quinta-feira (15), aponta que 12 feridos foram levados para hospitais da região. Fora os três que morreram, cinco seguem internados, sendo um em estado grave. Os outros quatro já receberam alta.

O que diz a empresa

Em nota, a empresa Expresso Guanabara, sediada em Fortaleza (CE) e responsável pela linha, informou que o ônibus saiu de Cajazeiras, na Paraíba, às 16h35 de terça-feira (13) e seguia para Goiânia.

O motorista tinha tido 20 horas de descanso antes de assumir o volante. A empresa enviou de imediato uma força-tarefa de Brasília para prestar a assistência necessária aos passageiros. A Guanabara informou que vai prestar toda assistência necessária às vítimas e que os familiares dos passageiros podem entrar em contato pelo telefone 0800-7281992.

Em nota, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) afirmou que o ônibus é novo e “está em conformidade quanto aos requisitos legais”. Além disso, a Expresso Guanabara tem autorização da agência para operar na linha.

Autor: Da redação com Sílvio Túlio, G1 GO/Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação.