Diretor de presídio e agentes são afastados por suspeita de tortura e ameaças a presos em Aruanã

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Apuração iniciou após detentos enviarem uma carta relatando crimes cometidos pelos servidores ou com a conivência deles. Segundo a denúncia, um preso chegou a levar arma para a cela.

O diretor da cadeia pública de Aruanã, Fábio Antônio da Silva, e os agentes prisionais Gercilei da Silva Jardim e Odílio de Camargo Neto foram afastados cauterlamente, ou seja, de forma temporária, de seus cargos, na terça-feira (6), por ordem judicial. Eles são suspeitos de torturar e ameaçar presos, além de serem coniventes com crimes praticados por um detento.

A decisão foi tomada pela juíza Marianna de Queiroz Gomes, que acatou o pedido de afastamento do promotor de Justiça Tommaso Leonardi. Na liminar, a magistrada reforça que a medida é necessária para não comprometer a investição da denúncia contra os servidores.

A Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) informou, em nota, que “afastou os servidores de suas funções tão logo tomou conhecimento das denúncias” e que instaurou um procedimento administrativo para apuração dos fatos. Além disso, o órgão explicou que Ortley Tavares Camargo Neto já foi nomeado para assumir a direção do presídio.

Agressões e armas em cela

O promotor iniciou a apuração após receber uma carta assinada por 34 presos denunciando crimes cometidos pelos servidores. “Estamos sendo perseguidos pela direção deste presídio de forma anormal”, contam os detentos na carta.

Leonardi ressalta que exames de corpo de delito comprovaram lesões em quatro internos. Eles relataram ao promotor que foram agredidos por um preso a mando dos agentes investigados e com o consentimento do diretor do presídio.

Na carta, os internos contam que esse mesmo preso já entrou nas celas armado com faca e até com revólver, que ele extorque os demais, trafica drogas e bebidas alcoólicas quando os agentes citados estão de plantão. Além disso, este interno também estimula o estupro de detentos, segundo o relato dos colegas de cadeia. Eles pedem ajuda antes que aconteça uma “desgraça maior”.

“Percebe-se que existem sérios indícios de que os presos da unidade foram torturados, entre outros crimes praticados pelos investigados, portanto, a suspensão do exercício das funções públicas dos investigados é medida necessária, visando garantir a ordem pública e por conveniência da instrução processual”, afirmou o promotor no pedido.

Autor: Da redação com Paula Resende, G1 GO/Foto: MP-GO/ Divulgação/ MP-GO/ Divulgação.