Dia Nacional dos Ciganos: Bispo da Diocese de Eunápolis – (BA) homenageia os ciganos.

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Que Maria, Mãe e serva, abençoe e caminhe junto com o Povo Cigano!

           Celebramos hoje, no Brasil, o Dia Nacional do Povo Cigano. Tempo de alegria e de festa, porque celebramos este povo “que está no coração da Igreja”, conforme disse o Papa Paulo VI. Contudo, este dia, além de um dia de júbilo, deve ser de reflexão para todos nós.

Como comunidade católica somos chamados a refletir como estamos acolhendo e cuidando do povo cigano em nossas comunidades. Estamos seguindo os ensinamentos do Papa Francisco na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (GE) sobre a chamada à santidade no mundo atual, que diz “que a comunidade cuida uns dos outros e forma um espaço aberto e evangelizador, e se torna lugar da presença do Ressuscitado que a vai santificando segundo o projeto do Pai”?.

Somos chamados a sair do nosso mundo e ir “contra a tendência para o individualismo consumista que acaba por nos isolar na busca do bem-estar à margem dos outros. O nosso caminho de santificação não pode deixar de nos identificar com aquele desejo de Jesus: que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti”.

No Dia Nacional do Povo Cigano devemos seguir o convite do Papa Francisco feito no Dia Mundial da Pobreza em 2017: “Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai Celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão”.

Os pobres, hoje, são os ciganos e ciganas, os quais foram tirados o direito de ir, vir e permanecer. São discriminados, deixados nas periferias existências e geográficas; são homens e mulheres que estendem suas mãos para que nos unamos a eles em uma ação solidária e humana em busca de uma vida digna para todos.

Neste 24 de maio de 2018, unamo-nos ao povo cigano em suas lutas, para que tenham o mesmo direito que todo cidadão brasileiro. Esforcemo-nos para que a Igreja seja o porto seguro destes nossos irmãos e irmãs que tem diariamente seus diretos negados e muitíssimas vezes não considerados, chegando ao extremo de não serem considerados como filhos e filhas de Deus.

Sejamos uma “Igreja em saída”; sejamos pontes! Vamos ao encontro destes nossos irmãos e irmãs porque “Deus é sempre novidade, que nos impele a partir sem cessar e a mover-nos para ir mais além do conhecido, rumo às periferias e aos confins. Leva-nos aonde se encontra a humanidade mais ferida e aonde os seres humanos, sob a aparência da superficialidade e do conformismo, continuam à procura de resposta para a questão do sentido da vida. Deus não tem medo! Não tem medo! Ultrapassa sempre os nossos esquemas e não lhe metem medo as periferias. Ele próprio Se fez periferia (cf. Flp 2, 6-8; Jo 1, 14). Por isso, se ousarmos ir às periferias, lá O encontraremos: Ele já estará lá. Jesus antecipa-Se-nos no coração daquele irmão, na sua carne ferida, na sua vida oprimida, na sua alma sombria. Ele já está lá.”

Convidamos a todos e todas a saírem dos seus lugares, perderem o medo de se aproximarem dos acampamentos, das casas deste povo que está na periferia das periferias geográficas e existenciais. Não tenham medo! Com os ciganos podemos fazer uma grande experiência de Deus. Com eles, façamos esta experiência do Ressuscitado, buscando um mundo mais justo e fraterno para todos, pois Cristo veio “para que todos tenham vida e vida em abundancia” (cf. Jo 10,10).

Que Maria, Mãe e serva, abençoe e caminhe junto com o Povo Cigano!

Dom José Edson Santana Oliveira

Bispo da Diocese de Eunápolis – BA

Referencial da Pastoral dos Nômades