Crescem pelo país igrejas evangélicas que incluem LGBTI

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Centros religiosos pregam interpretação da Bíblia que ‘acolhe’ todas as orientações sexuais, mas se mostram receosos em relação ao novo governo.

Na Igreja Cristã Contemporânea, em Madureira, o pastor Marcos Gladstone faz pregações com especial atenção a gays, como ele próprio; ao seu lado, os casais Danielle e Paula, com seus bebês gêmeos, e Dalton e Laércio.

Ser cristão praticante e gay é menos raro do que se parece. Crescem em todo país as igrejas pentecostais inclusivas, que abraçam os homossexuais. Em oposição ao caráter conservador social da maioria das denominações evangélicas, organizações como a Igreja Cristã Contemporânea (ICC) e Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) se expandem por vários estados do país.

A catedral da ICC em Madureira, com leitura da Bíblia que não discrimina a homoafetividade, já conta com 3 mil fiéis em uma comunidade que funciona como abrigo para pessoas gays e religiosas. Mas existe receio sobre o futuro dessas congregações com o novo governo, após falas consideradas homofóbicas do atual presidente, Jair Bolsonaro, e de alguns de seus ministros.

Há 13 anos, quando fundei a igreja, sofri muito preconceito. Mas, a cada ano que passava, a sensação era de que a situação melhorava um degrau — afirma o pastor Marcos Gladstone, que criou a Igreja Cristã Contemporânea (ICC) e é gay. — Agora, parece que tudo está voltando, que os discursos de ódio estão se intensificando. Como se estivéssemos lá no início novamente.

Autor: Da redação com Clarissa Pains e Raphael Kapa Foto: GABRIEL MONTEIRO / Agência O Globo