Acompanhantes recebem atenção psicológica no Hospital César Cals

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O cuidado, no Hospital Geral Dr. César Cals, da rede pública do Governo do Ceará, não é destinado somente ao paciente internado ou ao paciente em acompanhamento ambulatorial. Assim como os cuidadores de idosos com demência e Alzheimer, que participam mensalmente do grupo multidisciplinar de apoio e orientação, o hospital também disponibiliza atendimento para os acompanhantes.

É o Grupo de Apoio aos Acompanhantes, roda de conversa realizada pelo Serviço de Psicologia que busca proporcionar momentos de descontração e de escuta dos acompanhantes que ficam no hospital junto aos pacientes. As manhãs de quinta-feira, sempre no horário de 8h às 10h, são dedicadas a um momento de conversas, escuta, relaxamento, expressão dos sentimentos, dinâmicas, entre outras atividades. Carola Jorge Riffel, psicóloga do HGCC, conta que o grupo começou pequeno, com uma participação não muito efetiva, mas que atualmente os próprios acompanhantes buscam pelo encontro, demonstrando mais interesse. “Começamos com uma participação pequena e hoje eles participam mais, já gostam de participar porque antes não compreendiam bem a proposta. Hoje eles entendem que é um espaço promovido pelo hospital para eles se expressarem”, explica.

Na manhã de quinta-feira, 21, foi a primeira vez que a Dona Fátima Maria Siqueira de Sousa participou do encontro. Ela está acompanhando o esposo desde o dia 19 de agosto. Nunca tinha participado do encontro, mas saiu feliz e dizendo que estava se sentindo em casa pelo apoio recebido. “Além de ver meu marido melhorar a cada dia, o hospital ainda se preocupa em saber nossa opinião, ouvir os acompanhantes”, declara a participante. Quem participou pela última vez foi a Dona Odete Viana Moreira, que estava acompanhando o cunhado, que teve alta no final do dia. Ela aproveitou o momento para compartilhar a boa notícia e também agradecer. “O momento é construtivo e ajuda a passar o tempo aqui no hospital”, conta a acompanhante.

Os acompanhantes passam muito tempo no hospital. Daí a necessidade de estender o cuidado além do paciente. “Os acompanhantes, de alguma maneira, também vivenciam o ambiente hospitalar como um todo. Por isso é importante tentar ouvi-los, conhecer os sentimentos, as emoções, as preocupações por estarem muito tempo na unidade”, esclarece Carola Riffel. Para que o papel do acompanhante seja desempenhado bem, eles precisam se sentir participante do processo. Precisam também se sentirem apoiados para também apoiar. “Se eles estão bem, certamente vão desempenhar melhor o cuidado. Se eles estão cansados, estressados, isso também vai implicar no tratamento, na maneira como eles desempenham suas funções junto aos pacientes”, é o que constata Ana Cristina Coelho, psicóloga que passou integrar o grupo.

Os assuntos mais abordados, de acordo com as psicólogas participantes retratam a preocupação com os pacientes, a alta hospitalar e sobre o tratamento. Assuntos do cotidiano também são abordados, como a vida fora do hospital. Destacam também a importância do apoio mútuo entre eles, entre os pacientes. “Uma das formas de chegar até o paciente é por meio do cuidador. Se o cuidador está bem, ele consegue cuidar bem do paciente. Muitas vezes é difícil para eles se desligarem dos problemas de fora e poder focar no paciente. Realizamos várias atividades para eles se colocarem no lugar do paciente para entenderem que são importantes no cuidado” destaca Sara Bastos, psicóloga que também participa dos encontros . No último encontro, 12 acompanhantes estiveram presentes para compartilhar suas histórias em mais uma ação de atendimento humanizado do Hospital Geral Dr. César Cals.

Autor: Da redação com Ascom HGCC Foto: HGCC Wescley Jorge